quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Projeto Estrelas Variáveis Primeiros Passos


Olá queridos amigos astrônomos, é com prazer que escrevo para relatar meu novo projeto, mantendo é claro o observacional, o estudo das Variable Stars, isso mesmo, estrelas variáveis, mas vocês podem estar se perguntando:

Estrelas variam o quê?

Ou

Para que serve esse estudo?

Seguem breves explicações que podem sanar estas e outras dúvidas sobre esse importante estudo em que os astrônomos amadores há anos contribuem com a ciência.

O motivo da escolha desse tipo de atividade:

Acontece que sempre tive o desejo de contribuir com a ciência que tanto gosto a astronomia, porém nunca tive o desejo de ser um astrônomo profissional até por que é uma escolha de carreira para vida toda, apenas almejava uma maneira de, como amador, realizar estudos científicos e não apenas contemplar o firmamento, algo que sem dúvida adoro fazer, porém desejava uma atividade a mais.

Me aventurei no projeto Planet Hunters na busca de planetas da sonda Kepler que parou de funcionar em definitivo para esta atividade em 2013 devido a problemas técnicos decorrente de desgastes de peças na sonda. Avaliei o brilho de diversas estrelas para ajudar na busca de planetas, contudo, achei um tanto entediante ficar na frente do computador avaliando gráficos do fotômetro da sonda, no fundo queria algo mais prático e que envolvesse trabalho de campo.

Uma pessoa muito especial detentora de grandes conhecimentos e que me instigou a guiar esforços para essa atividade é um amigo aqui da lista, ao qual prefiro não citar o nome por hora por não ter sua permissão direta de divulgação, mas que fez um relato ao qual me chamou a atenção. Ele fez o que chamamos de aferir o brilho de várias estrelas e escreveu postando na lista de discussão do Casb a http://br.groups.yahoo.com/group/casbnet/. Aquelas medições e nomes estranhos cheios de códigos me foram confusos no início, porém depois de estudar bem pouco percebi que era algo simples e tomei gosto pela atividade. Lembro que escrevi sobre uma das estrelas observadas aqui mesmo no blog:


Desde então passei a me interessar mais e mais sobre o assunto, agora respondendo as perguntas feitas no início desse post.

Estrelas variam o quê?

Basicamente variam o seu brilho, ou como chamamos no ramo, magnitude aparente. Não se trata da cintilação que vemos em algumas estrelas, esta é causada por variações atmosféricas.

Ocorre que muitas estrelas não tem brilho constante e por alguns fatores aumentam e diminuem seu brilho no decorrer de certo período de tempo. Alguns desses fatores são mudanças na composição física ou química da estrela, algumas estrelas pulsam por conta de desequilíbrio entre a gravidade e sua fusão nuclear, passagem de suas estrelas irmãs em trânsito do nosso ponto de vista ou sua gravidade interagindo e mudando a forma entre outros.

Para que serve esse estudo?

Farei uma breve explanação sobre uma das grandes utilidades. Basicamente tem grande serventia no cálculo das distâncias no espaço, existe uma fórmula que usa a variação de brilho para se calcular essas distâncias. No início do século XXI acreditava-se que o universo era reduzido ao tamanho de nossa galáxia, que possui, aproximadamente, 100.000 anos luz de diâmetro e 1000 anos luz de altura, acreditava-se que outras galáxias eram 'nebulosas espirais'. Porém o astrônomo Edwin Hubble fez o estudo das cefeidas, que são um tipo de estrela variável, onde se consegue a distância dos astros, é aí que entram os amadores, para realizar este cálculo foram necessárias as contribuição de 10 astrônomos amadores espalhados pelo mundo que  ajudaram com os dados de aferições do brilho de estrelas, estes indispensáveis para os cálculos.

Após esse estudo Hubble chegou a conclusão que a estrela V1 na Galáxia de Andrômeda estava a 1 (um) milhão de anos luz de distância concluindo então que as 'nebulosas espirais' eram na verdade outras galáxias. Depois disso o mundo mudou no ramo dos estudos astronômicos.

Até hoje são feitas milhares de aferições por amadores em todo o mundo e muitos deles reportam para a AAVSO que é a associação americanas de observadores de estrelas variáveis a qual me inscrevi recentemente e enviei minhas primeiras medições.

Vantagens de realizar observações de variáveis:

Uma das grandes vantagens que percebi e que acontecem por consequência da atividade em si é o aprendizado das constelações, do nome das estrelas e de boa parte do funcionamento de muitos astros.

Outra vantagem é a contribuição para a ciência pois frequentemente são solicitados os dados da AAVSO por agências espaciais para cálculos diversificados.

A primeira estrela que encontrei e aferi o brilho foi Eta Aquilae (Eta Aql) na Águia, porém a variação de brilho além de pequena entre 3.48 - 4.39 e o período de dias, apenas 7, também é pequeno dificultando uma comparação entre os dias pois é difícil ter disponibilidade para avaliar em um período tão curto.

Conforme orientações tornei minha primeira estrela variável como Oficial R Scutum (R Sct) que além de possuir grande variação de 4.2 - 8.6 tem bom período para observar de 146.5 dias, ou seja, posso observar e aferir uma vês por mês e, em tese, verei diferenças.

É gratificante encontrar uma estrela através de cartas de busca, aprendendo sobre as constelações e posteriormente encontrar a mesma estrela e perceber como ela mudou. Aumentou de brilho, reduziu ou mesmo com sorte perceber a expansão abrupta que ocorre no caso de Novas que são estrelas que pulsam e aumentam incrivelmente de brilho de maneira repentina.

Para ilustrar um pouco segue uma imagem da Nova Centauri 2013 que foi perceptível a olho nú, reparem o Cruzeiro do Sul no topo da imagem:

Nova Centauri 2013 no APOD



É um exemplo e uma prova clara que o universo muda de forma constante.

Posteriormente escreverei sobre os tipos de variáveis, como imprimir as cartas de busca e como aferir o brilho das estrelas.

Abraços

Renato

Fontes:


sábado, 25 de janeiro de 2014

Experiência com Vênus e Lua ao Nascer do Sol


Algumas experiências na astronomia mesmo que pequenas podem proporcionar momentos muito gratificantes. Na última quinta feira meu pai, Senhor José dos Santos, me avisou que um astro lhe chamou a atenção logo ao amanhecer, e me relatou também visualizar a Lua pelo binóculo e reparar que parecia diferente naquele momento. Eram 6:30 da manhã quando começamos a observar. De início imaginei que fosse Júpiter por ser um astro bem brilhante para essa época do ano porém quando vi que era brilhante demais e logo desconfiei que fosse Vênus. Peguei o binóculo e vi o planeta como nunca tinha visto antes. Fui presenteado com a forma perfeita da "meia lua" de uma das fases de Vênus que formava uma bacia no céu. Anteriormente na chácara de um amigo do CAsB próximo a Engenho das Lajes tive a ideia de vislumbrar este planeta com a luz do anoitecer, no binóculo o resultado não foi bom pois o brilho é tão forte que o formato não é perceptível, no telescópio o resultado foi excelente. Porém na ocasião do dia 24 de Janeiro de 2014, a imagem que vi foi perfeita. Por algum motivo a luz do raiar do dia apagou o excesso de brilho e pude ver com perfeição o formato de sua fase. Já ouvi colegas experientes orientando que o início da noite a atmosfera está mudando de temperatura e isso influência negativamente em observações. Já no decorrer da madrugada o clima estabiliza o que ajuda muito, talvez houve uma contribuição do horário nesta observação. Segue foto do Stelarium simulando aquele momento. A foto não mostra Vênus exatamente da maneira que vi pois estava com a parte iluminada muito maior que a simulação na imagem abaixo.



Quanto a Lua, o que meu querido pai observou foi algo que eu já havia percebido anteriormente porém achei que fosse apenas impressão. Com a mistura da luz do dia, especialmente quando o Sol ainda não nasceu, ocorre que ao observar a Lua pelo binóculo se percebe claramente o formato esférico que ela possui, algo bem diferente de quando observada à noite, quando ao ver sua imagem a sensação é de duas dimensões. Durante o dia, quando a lua está presente, isso já e perceptível contudo ao raiar do Sol é muito evidente e gratificante. Segue também a foto da Lua gerada pelo Stelarium simulando aquele momento.






Espero que estas singelas experiências possam incentivar a todos a observarem em horários e com perspectivas diferentes. O binóculo usado foi um Órion Scenix 10x50.

Abraços

Renato

Parabéns da American Association of Variable Star Observers a AAVSO

Na primeira semana do ano fui presenteado com meu primeiro "reconhecimento internacional" pelos estudos astronômicos.

Recebi uma carta de agradecimento da American Association Variable Star Observers a AAVSO, parabenizando algumas observações realizadas e informadas no decorrer de 2013 e também um convite para participar de mais projetos da associação. Veio também uma foto da Nova Delfinus 2013 em papel de fotografia com o gráfico de observações e o gráfico de curva de luz. Essa é uma prova de que podemos contribuir para a ciência independente de sermos "amadores". Esse termo foi largamente citado como impróprio no ultimo Encontro Nacional de Astronomia Enast realizado em Brasília. Né verdade os astrônomos antigos dispunham de poucos recursos e mesmo assim eram considerados como tal. A observação de estrelas vaiáveis por exemplo é possível de ser feita apenas com um bom binóculo.

Abaixo imagens da carta e foto da AAVSO






Abraços

Renato

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Filtros Comparativo Órion Skyglow Astronomik CLS e Baader UHC-S

Olá caros amigos astrônomos, hoje falarei um pouco sobre os filtros nebulares de banda larga ou Broadband demonstrando um teste prático.

Dia 26 de Dezembro como que por um milagre em meio aos tempos de chuva o céu abriu muito limpo e pude testar os três filtros nebulares aos quais tinha muita curiosidade de verificar.

São eles:

ÓRION SKYGLOW
ASTRONOMIK CLS
BAADER UHC-S

Todos são filtros que permitem a passagem de cumprimentos de onda nas linhas do Oxigênio III, H Beta e H Aplha o que cobre grande parte de nebulosas.

Como só dispunha de uma nebulosa no momento devido ao ângulo do quintal de minha residência pude ver apenas M42 a famosa nebulosa de Órion.

O teste foi realizado com um telescópio refletor de 8 polegadas retrátil em um quintal escuro no meio da cidade, local de interessante utilização dos filtros que se propõem a reduzir a poluição luminosa. Contudo mesmo em locais escuros como chácaras e fazendas é de grande proveito a utilização de filtros que permitem a passagem de luminosidades nebulares garantindo mais contraste e facilitando muito a observação.

ÓRION SKYGLOW



É um filtro de bom preço e ajuda bastante dentro da cidade mas não garante tanto contraste diante de seus concorrentes. A mudança foi sensível de ver sem filtro e em dado momento achei até que estava atrapalhando, é preciso ser bem dedicado a observação para reparar na diferença, porém isso com com essa nebulosa em específico pois já vi boa melhoria observando a nebulosa planetária do anel em outra ocasião.

ASTRONOMIK CLS



Nesse sim vi grande diferença, o contraste aumentou o bastante para reparar os 'braços' da nebulosa que nitidamente aumentaram de tamanho com sua utilização e também o detalhe escuro em seu centro se destacou muito. Esse filtro não é projetado para visual e sim para fotografia porém caso tenha a oportunidade de adquirir um para visual ele também funciona muito bem.

BAADER UHC-S



Esse entra na categoria dos UHC ou Ultra High Contrast que prometem aumentar fortemente o contraste dos astros diversos que emitem mais luz nas frequências de ondas já citadas e visíveis no gráfico da imagem acima.

Fazendo uma análise simples percebi uma boa melhora em comparação ao Astronomik e enorme melhora em comparação ao Órion. A imagem escurece o suficiente de modo geral aumentando o contraste da nebulosa. O Acabamento do filtro é visivelmente superior, até a caixa que o armazena é de excelente qualidade, percebe-se o capricho por parte do fabricante apesar do meu ter vindo de fábrica com um micro arranhão de 1 mm a 1 cm de distância da borda este que não influenciou em absolutamente nada para visual porém não sei dizer se para fotografia faria alguma diferença, conversando com colegas do CasB me disseram que dificilmente atrapalharia, porém foi uma pequena falha que passou despercebida pelo controle de qualidade da fábrica.

Os três filtros justificam o preço e resultados sendo na sequência mostrada o preço equivalente aos resultados, ou seja, quanto mais caro o filtro melhor foi o resultado.

Com esse pensamento pretendo adquirir aquele que é o mais elogiado de todos nos fóruns internacionais que já li, é o Astronomik UHC, verdadeiramente caro porém com promessa da melhor qualidade possível para um filtro dessa categoria.




Abraços a todos amigos

Renato


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

16º ENAST Encontro Nacional de Astronomia Casb

Olá amigos, farei um breve relato do que pude testemunhar naquele que foi o melhor evento de astronomia que já fui. O 16º Encontro Nacional de Astronomia (ENAST) foi organizado especialmente pelo Clube de Astronomia de Brasília (CASB) que visivelmente se empenhou ao máximo para proporcionar um evento com extrema qualidade e organização.

O evento teve duas partes distintas para os frequentadores, uma aberta ao público e outra para os inscritos, esses que frequentaram diversas palestras sediadas no Centro de Convenções Ulisses Guimarães nos dias 14,15,16 e 17 de novembro de 2013.

Na parte aberta ao público que contou com aproximadamente oito mil pessoas era possível ver diversas exposições como a de telescópios:


De meteoritos, detalhe para o ET:




De cartazes instrutivos:





E até o Planetário Itinerante, uma excelente experiência para crianças, jovens e adultos, esse só tenho uma foto pouco antes de começar a sessão da máquina que projeta as imagens:


Na parte para inscritos, em torno de quinhentos, foi possível apreciar palestras com alguns dos mais experientes astrônomos tanto amadores como profissionais seguem alguns:

Marcelo Wagner Silva Domingues (CAsB),
Breno Giacchini (REA),
Cristovão Jacques (REA, CEAMIG e BRASS),
Alexandre Amorim (REA e NEOA-JBS),
Alexandre Amorim (REA e NEOA-JBS),
Sandro Coletti (Fábrica de Espelhos),
Cláudio Manoel Gomes de Sousa (UCB),
Paulo Cacella (CAsB), Rodrigo Andolfato (CAsB),
Maria Elizabeth Zucolotto (UFRJ).

Fui nas seguintes palestras:

Breno Giacchini (REA) - Descoberta e estudo de estrelas duplas por meio de ocultações: um exemplo concreto
Marcelo Wagner Silva Domingues (CAsB) - Construção de robô para timelapses astronômicos
Cristovão Jacques (REA, CEAMIG e BRASS) - Descobertas astronômicas: como, o quê e para quem reportar
Alexandre Amorim (REA e NEOA-JBS) - Observações Astronômicas à Luz do Dia
Wytler Santos (UnB) - Construção de espelhos côncavos para Telescópios Newtonianos: A experiência do Grupo de Astronomia da Faculdade UnB Gama
Sandro Coletti - Interferômetro Bath
Pedro Ré (APAA - Portugal) - Observação e fotografia do Sol
Ivan Soares Ferreira (UnB) - Como medimos o Universo?
Rodrigo Andolfato (CAsB) - Setups e equipamentos de Astrofotografia de Céu Profundo: como escolher e adquirir
Sandro Rosa (CAsB) - Expedições CAsB: Observação do eclipse total do Sol na Oceania, 2012
Tasso Augusto Napoleão (REA) - Dos tempos do Império aos Observatórios Robóticos
Paulo Leme (IAG-USP) - Ameaças que vêm do Espaço
Maria Elizabeth Zucolotto (UFRJ) - Assim na Terra como no céu: meteoritos e minerais, desde sua adoração a seu uso e influência na evolução da humanidade

Infelizmente não pude ir em todas que gostaria pois tinha compromissos com minha família mas aproveitei imensamente os conhecimentos passados.

As palestras foram de alto nível, com professores doutores mostrando os resultados e descobertas mais recentes de suas pesquisas.

Seguem algumas imagens das palestras:




Até lançamento de foguetes aconteceu:



A maravilhosa oficina de ATM para a confecção e montagem de telescópios realizada pelo Maciel Sparrenberger com espelhos Sandro Colleti:


Ao final houve sorteio onde vários "brindes" foram dados aos ganhadores, a meu ver foram presentes que tornaram ainda mais inesquecíveis os belos momentos vividos nesse encontro.

Houve até o ganhador de um telescópio:




Mais uma vez parabéns a todos os camisas azuis (Organizadores) e a todos que contribuíram de alguma forma para a realização do 16º ENAST.

Para quem não pode ir, as palestras estão no youtube.

Para terminar esse breve relato, faço de minhas as palavras de um amigo do CASB:

"ENAST não é só divulgação, é Ciência."

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Observação com Binóculo

Eu fiz como muitos astrônomos amadores fazem, primeiro compram o telescópio e depois o binóculo quando o ideal é o contrário. Primeiro reconhecer o céu com o binóculo e depois partir para algo mais poderoso.

Sem dúvida uma das melhores experiências que tive na astronomia foi comprar um binóculo astronômico de qualidade. Não conseguia acreditar na quantidade de estrelas que visíveis com um equipamento aparentemente tão simples.

Meu primeiro binóculo e que uso até hoje é um Órion Scenix 10x50. Devo avisar que com 10 vezes de ampliação já treme bastante na mão especialmente para pessoas mais velhas ou mesmo numa noite muito fria tanto que coloco ele em um tripé de fotografia com o devido adaptador só para garantir a estabilidade. Para quem vai usar 100% na mão sem nunca colocar em um tripé recomendo um 7x50 do mesmo modelo e marca. Lembro a todos que ampliação não é tudo, ao contrário, a ampliação quanto maior mais pode escurecer a imagem além de tremer muito, o ideal é abertura e como no binóculo é limitada deve-se ampliar pouco e ter um campo de visão maior para reconhecimento das constelações e etc.

Órion Scenix 10x50:




Vem com essa bolsa extremamente prática e com tampa das objetivas e oculares, ao todo quatro tampas e uma bela alça de pescoço bordado com a marca Órion.

Eu particularmente acho a Órion uma excelente marca, raramente encontro algo que possa dizer ter sido falha no projeto ou construção. As lentes são de fato feitas para astronomia pois o tratamento anti reflexo é visível nas objetivas. Foi uma das melhores experiências que já tive observar por esse binóculo. A faixa de preço desse Órion é de R$ 400,00 a R$ 600,00 reais.

Outra experiência inesquecível que tive foi no 21º ENOC onde tive a oportunidade de olhar para o céu através de um binóculo da marca Oberwerk com 12x60. Tremia na mão por conta da ampliação porém a abertura e qualidade ótica super elevadas geravam uma visão muito clara do céu. Realmente a qualidade dele me surpreendeu. É praticamente um telescópio duplo, como o seu preço é elevado um dia pretendo adquirir um.

Segue imagem do Oberwerk com 12x60:


Foco Duplo

Como ajustar o foco para enxergar bem?

No telescópio é mais fácil pois se faz apenas um foco para um olho mas no binóculo as vezes é difícil achar o ajuste que possibilite ver bem com ambos os olhos. Normalmente ocorre de ver bem em um olho e no outro não resultando ver mal nos dois quando se tentar ver com ambos.

Alguns binóculos tem duplo ajuste de dioptria para o caso de se ter diferenças de foco de um olho para o outro. São casos de miopia maior em um olho. O Órion Scenix tem apenas um ajuste do lado direito, o que não atrapalha tanto se seguir a dica abaixo.

Para conseguir um ótimo foco faça assim:

1. Tampe a lente objetiva direita e faça o foco no focalizador central avistando uma estrela de brilho médio;

2. Agora inverta, tampe a lente objetiva esquerda mas não toque no focalizador central desta vez, utilize o ajuste de dioptria do lado direito, ele fica perto do olho;

3. Por último, para fazer um ajuste final, deixe as duas lentes objetivas destampadas e utilize o focalizador central suavemente para equilibrar o foco de ambos os olhos.

Sofri um tempo para descobrir essa técnica que funciona muito bem para mim, meu irmão e meu pai.

Como somos seres humanos, e portanto relativos, possa ser que esse método não funcione com todo mundo, mas vale a pena testar lembrando que cada um tem um foco diferente nos olhos, por isso a cada vez que for observar deve-se repetir o processo. O ideal é ter um binóculo só para si ou observar um bom tempo e depois passar para outra pessoa curtir o seu tempo em seguida.

Alguns binóculos tem focalizador individual em cada lente, nesses se faz o foco em cada ocular e depois se equilibra no central caso exista.

Novas informações sobre binóculos astronômicos postarei.

Abraços

Renato

domingo, 22 de setembro de 2013

Último Astronomia na Praça de 2013

Mais uma vez o evento organizado pelo CASB (Clube de Astronomia de Brasília) foi um sucesso, dessa vez mais que o esperado. O último Astronomia na Praça foi marcado para o dia 17 de Agosto, dia este em que o clima não colaborou em nada e justamente quando o link da Rede Globo foi chamado para aumentar a divulgação. Naquele dia eu estava ali pertinho na apresentação Bonecos do Mundo feita no Museu Nacional. Olhava para o céu a cada 5 minutos esperando abrir e ir para a praça o que infelizmente não aconteceu. Fiquei feliz de alguns colegas terem sentido minha falta conforme um colega me relatou.

Lá mesmo foi remarcado para o dia 14 de Setembro e neste dia o clima parecia que não ia colaborar novamente. Saindo de casa e as nuvens fechavam o céu mas eu tinha que pagar para ver e desta vez fui direto. Estava disposto a ajudar de outra maneira além do que levar o telescópio e como o clima estava fechado resolvi levar apenas algumas cartas celestes, binóculo e também os panfletos do 16º ENAST.

Quando cheguei o tempo já começava a abrir e muitos colegas conhecidos estavam presentes fora outros que há muito não via e para minha alegria o link da Rede Globo ali estava e pensei logo que abrindo o céu um pouco mais haverá a divulgação e fecharemos o ano com chave de ouro.

Não deu outra, o céu abriu, o anúncio foi realizado no DFTV e em poucos minutos as filas em cada telescópio tinha por volta de 50 pessoas cada! Aí então distribuí por volta de 60 panfletos do ENAST que tinha em mãos e logo que acabou peguei outros de um colega e consegui distribuir mais de 150 panfletos do evento. Percebi que haviam telescópios com apenas 5 pessoas e outros com 50 ou mais, foi aí que percebi a necessidade de distribuir um pouco as pessoas pedindo para que se dirigissem ao equipamento com fila menor para não esperarem tanto.

Equipamentos muito interessantes foram levados ao evento. Apocromático William Optics, SCT Celestron Edge 8", Newtoniano 8" Retrátil, Meade 90mm montado de forma artesanal entre outros.

A curiosidade das pessoas de observar pelo binóculo também foi grande e se fascinavam ao olhar para o céu e ver uma quantidade infinitamente maior de estrelas através de lentes objetivas apropriadas para a atividade astronômica.

As cartas celestes que dispunha eram sobre estrelas variáveis e que foram muito consultadas pelos curiosos que desejavam aprender a lê-las e identificar no céu o que mostravam.

Este foi o evento com maior público do ano ultrapassando a marca de 1000 (um mil) pessoas e a missão de divulgar a Astronomia na Capital Federal foi cumprida com louvor.

Agradecimentos a todos os que contribuíram para este evento que apesar de sua simplicidade sana a curiosidade que muitos carregam em certos casos por anos.



Abraços

Renato Veras