sábado, 24 de maio de 2014

Ocultação da estrela 42 Aquarii pelo asteroide 33 Polyhymnia

Recentemente observei e cronometrei o tempo de uma ocultação por asteroide, fiquei apreensivo de não ver nada porém fiquei muito satisfeito com o resultado.

Segui a risca o manual da REA no link:
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/asteroides.pdf

Instalei o Ocult Watcher, programa que mostra quais ocultações ocorrerão em sua localidade e mostra outras pessoas que farão a mesma obervação facilitando campanhas para o registro.

A hora local prevista foi 5:29:49,00

Resultado da ocultação POSITIVO

Data: 24/05/2014

Asteroide: 33 Polyhymnia

Estrela: HIP 110000 (42 Aquarii)

Desaparecimento: 8:29:49,73 UTC
Reaparecimento: 8:29:52,01 UTC

Duração: 2,28

Método utilizado cronômetro itens 5.1 e 5.2 do manual da REA (http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/asteroides.pdf)

Fonte de sinal horário: Telefone do Observatório Nacional

Breve relato pessoal.

Pouco antes da ocultação um brilho andava de Sul para Norte, satélite suponho e nos dois minutos que antecederam a ocultação um outro brilho andava de Norte para Sul tentando tirar minha atenção da estrela mas não conseguiu.

Posso resumir que levei um belo susto quando vi pela primeira vez na vida uma estrela desaparecer diante de meus olhos, meu tempo de reação deve ser sido um pouco maior que no treinamento por causa do susto.

Ela desapareceu lentamente e reapareceu de uma vez.

A pontualidade é algo realmente impressionante, não imagino como podem calcular tais eventos com tamanha precisão e olha que temos uma lista enorme de ocultações para anos a frente e com mais cálculos sabe-se lá até quando é possível prever.

Aqui o local exato da estrela:



Só por curiosidade, Polímnia ou Poliímnia (em grego: Πολύμνια, transl. Polyhymnia, "a dos muitos hinos") foi uma das nove musas da mitologia grega, as filhas de Zeus e Mnemósine, filha de Oceano e Tétis. Era a musa da poesia sagrada e tinha um ar pensativo. Também era considerada a musa da geometria, meditação e agricultura. Representada usando uma túnica e um véu. Fonte Wikipédia.

Não sei como pude gostar tanto de um evento tão breve, imagino outros em que a duração é bem maior.

Aqui um vídeo feito por um astrônomo do Clube de Astronomia de Brasília CaSB.




Diria que foi um excelente treinamento para a próxima ocultação que ocorrerá em Julho de Hera a qual terá uma duração muito maior de 11 segundos.

Hera ocultará a estrela HIP 91781 Sgr (V3879 / HR 7023) na constelação de Sagitário com magnitude 6.1, visível com binóculos, no dia 30 de julho de 2014 às 01:11.

Fonte: http://www.poyntsource.com/New/Future.htm

Reporte de 33 Polyhymnia já encaminhado a REA

Renato Veras

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A noite do orvalho recorde!


Dia primeiro de Maio, noite de quinta para sexta-feira, encontro marcado com um amigo em sua chácara próxima a cidade de Valparaizo-GO, telescópio e equipamentos no carro e pé na estrada. Chegando lá conheci seu pai e um amigo de infância, este também astrônomo de épocas onde um Tasco de 60mm era um dos poucos instrumentos acessíveis. Os equipamentos disponíveis eram bem variados, dois refratores um de 90mm e outro de 127mm, dois newtonianos de 200mm um tubo fechado e outro retrátil, binóculos 10x50 astronômicos e Pocket Star atlas. As metas e expectativas foram altas para a noite. Inicialmente uma bela olhada na Lua Nova fininha e cheia de relevos nas bordas com excelente contraste, o pouco de luz do dia ajudava a mostrar sua forma esférica diferente de quanto vemos totalmente à noite quando fica chapada. Júpiter foi o alvo seguinte, mostrava 4 luas uma bem próxima do planeta. Pausa para o jantar recheado de minipizzas suco de caju e goiaba. Muitos papos astronômicos e outros não. Retorno as 20:00 horas aproximadamente e a surpresa cruel, orvalho recorde na chácara e tudo encharcado. Mesmo coberto com toalhas e cobertores não adiantou, ao ver Júpiter novamente halos enormes no planeta, aquela lua próxima já estava na frente de planeta e se via bem fracamente sua sombra, a umidade estava próxima aos 100%. Espelho secundário dos newtonianos todos molhados. Ao apontar o laser para o céu podia se ver bem no alto que uma parte feixe brilhava mais que todo o rastro indicando uma névoa e finas nuvens. O único guerreiro que suportou muito bem foi o grande refrator que tem um protetor de orvalho generoso servindo de escudo para a objetiva. Como a noite estava difícil desistimos dos planos iniciais e partimos para contemplação do que era possível se ver, estrelas duplas, aglomerados abertos e alguns globulares. Comparamos às oculares de 40mm da Meade com a de 42mm da GSO, a qualidade visual de ambas nos pareceu iguais. A Meade ganhou em campo sendo mais abrangente mas a GSO ganhou na leveza e simplicidade.

Segue lista dos astros contemplados , na sequência imagem e fonte:

NGC 3532, aglomerado aberto bem próximo da nebulosa de Eta Carinae onde identificamos um asterismo em forma de losango parecido com Delphinus, depois a capa de uma santa e por ultimo capacete que lembra Darth Vader! Foi uma visão final engraçada. Situado a 1321 anos luz tem aproximadamente 150 estrelas, sete gigantes vermelhas e 7 anãs brancas.



http://www.irida-observatory.org/Namibia-Tivoli/NGC3532/NGC3532_RGB_2000.jpg

NGC 6231 na cauda do escorpião e próximo a Zeta Scorpii, que é uma das estrelas mais brilhantes da galáxia ha 150 anos luz, mostrou um asterismo em forma de letra M, já com o binóculo era possível ver uma espécie de calango com o aglomerado ao centro, diria que simbolizando os observadores do cerrado. Considerado jovem tem apenas 3,2 milhões de anos e está se aproximando do sistema solar a 22 KM/s.



http://www.capella-observatory.com/images/OpenClusers/NGC6231.jpg

Globular NGC 6441 na cauda do escorpião junto da G Scorpius que é lindamente laranjada.



http://www.verschatse.cl/clusters/ngc6441/maximum.jpg

Globular NGC 5286 em centauro com um núcleo concentrado e M Centauro ao lado.



http://members.pcug.org.au/~stevec/ngc5286_STL11K_RC_LRGB.jpg

IC 2602 ou Plêiades do Sul com suas estrelas novas e azuladas.



http://www.mudgeeobservatory.com.au/images/ic2602.jpg

Duplas Alfa Centauri com Alfa A grande e Alfa B menor, esse na verdade é um sistema triplo contendo também Próxima Centauri bem mais distante e visível em fotografias. Em 2012 um planeta foi descoberto em Alfa B porém muito perto da estrela para possibilitar a vida como conhecemos.



http://www.dailygalaxy.com/.a/6a00d8341bf7f753ef017ee4364e2c970d-500wi

Alfa Crucis duas mais semelhantes com A e B cerca de 25000 e 16000 vezes respectivamente o brilho do Sol.



http://postimg.org/image/d8m34w70r/full/

NGC 4755 Caixa de Joias bem pequena devido a ocular de pequeno aumento mas visível o amarelo avermelhado de Du Crucis ao centro, a estrela semelhante a Betelgeuse porém menos visível por estar cerca de 10 vezes mais distante a 6442 anos luz.



http://www.astrosurf.com/antilhue/NGC4755hi.jpg

NGC 5139 ou Omega Centauri, apagado pelo céu quase nublado.



http://www.astrorun.com/~fjacky/image/Ngc5139_25x120s_820x612.jpg

Para finalizar M44 ou O Presépio, Manjedoura e até mesmo Colméia em Câncer. Belíssimos de se ver com o binóculo.



http://annesastronomynews.com/wp-content/uploads/2012/02/The-Beehive-Cluster-M44-or-NGC-2632.jpg

Observamos o que foi possível na noite com mais orvalho que já vi, fica a dica de levar um secador de cabelo para evaporar o orvalho dos instrumentos. Outra dica é segurar com a mão oculares embaçadas para o calor corporal aquecer com isso evaporar o orvalho. Foi uma noite ainda em época de chuvas, próximo do final do período portando bem natural da umidade excessiva aparecer, a chácara é baixa próxima ao riacho o que ajuda a ficar mais frio e úmido.

Como foram muitas informações é possível que haja alguma inconsistência portando correções são bem vindas!

A temporada de céus limpos está prestes a começar e em breve relato novas observações.

Abraços!

Renato Veras

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Mapas de Todas as Constelações


Nesse breve post desejo apenas compartilhar dois sites muito especiais que encontrei com a pesquisa do post anterior sobre estrelas variáveis. A riqueza de informações neles presente nunca tinha visto igual.

Site número 1:

http://astropixels.com/

Esse descobri quando procurava uma foto da constelação de Órion completa conforme abaixo:


http://astropixels.com/constellations/photos/Ori-01.html

Nele você encontra fotografias de constelações inteiras entre muitíssimas informações.

Exemplos:

Cão Maior (inspiração para a logo do Blog)


Órion:


Touro:



Já o próximo foi uma descoberta que ha muito tempo estava em busca, um site que além de ricos artigos tivesse como recurso a impressão de mapas de todas as constelações separadamente. Imagine um livro impresso em que cada página é uma constelação com ótimos detalhes, segue o site e o link direto:


Para ir direto nas constelações:


Seguem exemplos das imagens acima:




Uma visão panorâmica das constelações pode ser de grande ajuda para a compreensão e busca de astros diversos.

Até mais!

Renato

domingo, 16 de março de 2014

Buscando e Imprimindo Carta de Busca Pelas Constelações


Aqui ensinarei o pouco que aprendi até o momento para ajudar aqueles que tem curiosidade sobre como encontrar uma estrela através de uma carta de busca.

Particularmente olhar para uma estrela que está sempre igual é algo que pode não interessar a muitos, contudo, observar uma estrela que a cada vez que se visualiza está diferente, conhecendo as constelações em consequência disso e ainda contribuir para a ciência através do envio dos dados observacionais, isso sim pode ser considerado mais interessante.

Esse é o link do site da AAVSO:

AAVSO LINK

No site pode-se procurar a maioria das estrelas que variam de brilho através do menu:

VARIABLE STARS --> VARIABLE STAR INDEX (VSX)



Ao clicar em SEARCH você é direcionado para a tela onde na caixa de seleção CONST. (constelações) se escolhe a constelação que se deseja procurar estrelas variáveis, segue o exemplo em que selecionei ORION e cliquei em 'Search' logo abaixo para serem listadas as variáveis da constelação citada:


Agora você terá uma lista com todas as variáveis registradas daquela constelação, aconselho escolher uma que tenha grande variação de brilho para que seja perceptível mais facilmente sua mudança, escolhi a U Ori (U Orionis) por variar bastante seu brilho indo de 4.8 a 13 em um período bem longo de 377 dias. Quando está forte é facilmente vista com binóculo e quando fraca vista com telescópio. Fica na ponta do braço direito de Órion, segue imagem da constelação e da listagem de estrelas da constelação de Órion:




Ao clicar no nome da estrela você verá informações dela como outros nomes que recebem o que ajuda muito quando usamos softwares de mapas estelares pois estes variam a nomenclatura. Vejam a parte OTHER NAMES. Achei ela no Star Walk para Iphone como HR 2063 e HD 39816.





Agora as cartas que podem ser impressas através do menu:

OBSERVING --> VARIABLE STAR CHARTS --> VARIABLE STAR PLOTTER (VSP)


Neste caminho deve-se colocar o nome da estrela no caso U Ori em nosso exemplo, e abaixo escolher a escala, a qual geralmente escolho B ou C, clicar em PLOT CHART e pronto! Está na tela a carta com estrelas de brilho fixo para comparação. Para imprimir clique em Printable Version no topo da página.

É altamente recomendável um mapa panorâmico que pode ser adquirido com a utilização de um software de cartas estelares como Star Walk para IOS da Apple ou Mobile Observatory para Android da Google. Assim fica mais fácil encontrar a estrela pois se faz a busca pelo nome, um dos que mostram Search VSX já citado, e caso possa adquirir um mapa panorâmico de papel, que é coisa rara, também é interessante. Os atlas também ajudam bastante os quais recomendo o Pocket Aky Atlas, vendido na Amazon e enviado para o Brasil, este para um custo de investimento reduzido. Se quiser investir mais o melhor que conheço é o Sky Atlas 2000.

Para medir o brilho é só comparar com pelo menos duas estrelas na carta, por exemplo se na carta temos uma 6.0 e uma 8.0 e a estrela variável está entre ambas pode-se aferir que ela esteja em 7.0.

Vejam uma carta da nossa estrela de exemplo:


Para imprimir é muito importante clicar em Printable Version na tela resultante da busca do VARIABLE STAR PLOTTER (VSP)

Após a comparação e aferição do brilho você pode enviar as aferições de brilho para a AAVSO basta se cadastrar no site, logar no site e escolher a opção do menu:

OBSERVING --> WEBOBS (SEARCH AID OR SUBMIT YOUR DATA)

Depois:

SUBMIT OBSERVATIONS INDIVIDUALLY

E respondendo a pergunta WHAT TYPE OF OBSERVATION ARE YOU SUBMITTING? através da caixa de seleção ao lado escolhendo VISUAL.



Com relação ao horário, deve-se acrescentar 3 horas do horário local, diferença esta correspondente ao nosso país e a hora global.

Com o envio dessas aferições estará contribuindo com a ciência astronômica pois periodicamente essas informações são utilizadas para cálculos por agências espaciais.

A primeira vista parece bastante complicado eu sei, mas ao realizar esse processo uma única vez se percebe que não é tão complicado.

O site da AAVSO tem muitas outras opções como gerador de curva de luz, outros tipos de cartas, enfim, muitas outras curiosidades que podem ser exploradas para aqueles que querem ir mais a fundo.

Ufa!

São muitas informações, para aqueles que tiverem interesse posso ajudar pessoalmente, é só entrar em contato comigo e agendamos.

Se aprende muito sobre o céu através dessas buscas por estrelas, sobre nomes, posições de astros diversos e constelações em geral, esse foi também um dos motivos por optar por esta atividade.

Fontes:

http://www.aavso.org/
http://astropixels.com/constellations/photos/Ori-01.html

Grande Abraço

Renato Veras

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Projeto Estrelas Variáveis Primeiros Passos


Olá queridos amigos astrônomos, é com prazer que escrevo para relatar meu novo projeto, mantendo é claro o observacional, o estudo das Variable Stars, isso mesmo, estrelas variáveis, mas vocês podem estar se perguntando:

Estrelas variam o quê?

Ou

Para que serve esse estudo?

Seguem breves explicações que podem sanar estas e outras dúvidas sobre esse importante estudo em que os astrônomos amadores há anos contribuem com a ciência.

O motivo da escolha desse tipo de atividade:

Acontece que sempre tive o desejo de contribuir com a ciência que tanto gosto a astronomia, porém nunca tive o desejo de ser um astrônomo profissional até por que é uma escolha de carreira para vida toda, apenas almejava uma maneira de, como amador, realizar estudos científicos e não apenas contemplar o firmamento, algo que sem dúvida adoro fazer, porém desejava uma atividade a mais.

Me aventurei no projeto Planet Hunters na busca de planetas da sonda Kepler que parou de funcionar em definitivo para esta atividade em 2013 devido a problemas técnicos decorrente de desgastes de peças na sonda. Avaliei o brilho de diversas estrelas para ajudar na busca de planetas, contudo, achei um tanto entediante ficar na frente do computador avaliando gráficos do fotômetro da sonda, no fundo queria algo mais prático e que envolvesse trabalho de campo.

Uma pessoa muito especial detentora de grandes conhecimentos e que me instigou a guiar esforços para essa atividade é um amigo aqui da lista, ao qual prefiro não citar o nome por hora por não ter sua permissão direta de divulgação, mas que fez um relato ao qual me chamou a atenção. Ele fez o que chamamos de aferir o brilho de várias estrelas e escreveu postando na lista de discussão do Casb a http://br.groups.yahoo.com/group/casbnet/. Aquelas medições e nomes estranhos cheios de códigos me foram confusos no início, porém depois de estudar bem pouco percebi que era algo simples e tomei gosto pela atividade. Lembro que escrevi sobre uma das estrelas observadas aqui mesmo no blog:


Desde então passei a me interessar mais e mais sobre o assunto, agora respondendo as perguntas feitas no início desse post.

Estrelas variam o quê?

Basicamente variam o seu brilho, ou como chamamos no ramo, magnitude aparente. Não se trata da cintilação que vemos em algumas estrelas, esta é causada por variações atmosféricas.

Ocorre que muitas estrelas não tem brilho constante e por alguns fatores aumentam e diminuem seu brilho no decorrer de certo período de tempo. Alguns desses fatores são mudanças na composição física ou química da estrela, algumas estrelas pulsam por conta de desequilíbrio entre a gravidade e sua fusão nuclear, passagem de suas estrelas irmãs em trânsito do nosso ponto de vista ou sua gravidade interagindo e mudando a forma entre outros.

Para que serve esse estudo?

Farei uma breve explanação sobre uma das grandes utilidades. Basicamente tem grande serventia no cálculo das distâncias no espaço, existe uma fórmula que usa a variação de brilho para se calcular essas distâncias. No início do século XXI acreditava-se que o universo era reduzido ao tamanho de nossa galáxia, que possui, aproximadamente, 100.000 anos luz de diâmetro e 1000 anos luz de altura, acreditava-se que outras galáxias eram 'nebulosas espirais'. Porém o astrônomo Edwin Hubble fez o estudo das cefeidas, que são um tipo de estrela variável, onde se consegue a distância dos astros, é aí que entram os amadores, para realizar este cálculo foram necessárias as contribuição de 10 astrônomos amadores espalhados pelo mundo que  ajudaram com os dados de aferições do brilho de estrelas, estes indispensáveis para os cálculos.

Após esse estudo Hubble chegou a conclusão que a estrela V1 na Galáxia de Andrômeda estava a 1 (um) milhão de anos luz de distância concluindo então que as 'nebulosas espirais' eram na verdade outras galáxias. Depois disso o mundo mudou no ramo dos estudos astronômicos.

Até hoje são feitas milhares de aferições por amadores em todo o mundo e muitos deles reportam para a AAVSO que é a associação americanas de observadores de estrelas variáveis a qual me inscrevi recentemente e enviei minhas primeiras medições.

Vantagens de realizar observações de variáveis:

Uma das grandes vantagens que percebi e que acontecem por consequência da atividade em si é o aprendizado das constelações, do nome das estrelas e de boa parte do funcionamento de muitos astros.

Outra vantagem é a contribuição para a ciência pois frequentemente são solicitados os dados da AAVSO por agências espaciais para cálculos diversificados.

A primeira estrela que encontrei e aferi o brilho foi Eta Aquilae (Eta Aql) na Águia, porém a variação de brilho além de pequena entre 3.48 - 4.39 e o período de dias, apenas 7, também é pequeno dificultando uma comparação entre os dias pois é difícil ter disponibilidade para avaliar em um período tão curto.

Conforme orientações tornei minha primeira estrela variável como Oficial R Scutum (R Sct) que além de possuir grande variação de 4.2 - 8.6 tem bom período para observar de 146.5 dias, ou seja, posso observar e aferir uma vês por mês e, em tese, verei diferenças.

É gratificante encontrar uma estrela através de cartas de busca, aprendendo sobre as constelações e posteriormente encontrar a mesma estrela e perceber como ela mudou. Aumentou de brilho, reduziu ou mesmo com sorte perceber a expansão abrupta que ocorre no caso de Novas que são estrelas que pulsam e aumentam incrivelmente de brilho de maneira repentina.

Para ilustrar um pouco segue uma imagem da Nova Centauri 2013 que foi perceptível a olho nú, reparem o Cruzeiro do Sul no topo da imagem:

Nova Centauri 2013 no APOD



É um exemplo e uma prova clara que o universo muda de forma constante.

Posteriormente escreverei sobre os tipos de variáveis, como imprimir as cartas de busca e como aferir o brilho das estrelas.

Abraços

Renato

Fontes:


sábado, 25 de janeiro de 2014

Experiência com Vênus e Lua ao Nascer do Sol


Algumas experiências na astronomia mesmo que pequenas podem proporcionar momentos muito gratificantes. Na última quinta feira meu pai, Senhor José dos Santos, me avisou que um astro lhe chamou a atenção logo ao amanhecer, e me relatou também visualizar a Lua pelo binóculo e reparar que parecia diferente naquele momento. Eram 6:30 da manhã quando começamos a observar. De início imaginei que fosse Júpiter por ser um astro bem brilhante para essa época do ano porém quando vi que era brilhante demais e logo desconfiei que fosse Vênus. Peguei o binóculo e vi o planeta como nunca tinha visto antes. Fui presenteado com a forma perfeita da "meia lua" de uma das fases de Vênus que formava uma bacia no céu. Anteriormente na chácara de um amigo do CAsB próximo a Engenho das Lajes tive a ideia de vislumbrar este planeta com a luz do anoitecer, no binóculo o resultado não foi bom pois o brilho é tão forte que o formato não é perceptível, no telescópio o resultado foi excelente. Porém na ocasião do dia 24 de Janeiro de 2014, a imagem que vi foi perfeita. Por algum motivo a luz do raiar do dia apagou o excesso de brilho e pude ver com perfeição o formato de sua fase. Já ouvi colegas experientes orientando que o início da noite a atmosfera está mudando de temperatura e isso influência negativamente em observações. Já no decorrer da madrugada o clima estabiliza o que ajuda muito, talvez houve uma contribuição do horário nesta observação. Segue foto do Stelarium simulando aquele momento. A foto não mostra Vênus exatamente da maneira que vi pois estava com a parte iluminada muito maior que a simulação na imagem abaixo.



Quanto a Lua, o que meu querido pai observou foi algo que eu já havia percebido anteriormente porém achei que fosse apenas impressão. Com a mistura da luz do dia, especialmente quando o Sol ainda não nasceu, ocorre que ao observar a Lua pelo binóculo se percebe claramente o formato esférico que ela possui, algo bem diferente de quando observada à noite, quando ao ver sua imagem a sensação é de duas dimensões. Durante o dia, quando a lua está presente, isso já e perceptível contudo ao raiar do Sol é muito evidente e gratificante. Segue também a foto da Lua gerada pelo Stelarium simulando aquele momento.






Espero que estas singelas experiências possam incentivar a todos a observarem em horários e com perspectivas diferentes. O binóculo usado foi um Órion Scenix 10x50.

Abraços

Renato

Parabéns da American Association of Variable Star Observers a AAVSO

Na primeira semana do ano fui presenteado com meu primeiro "reconhecimento internacional" pelos estudos astronômicos.

Recebi uma carta de agradecimento da American Association Variable Star Observers a AAVSO, parabenizando algumas observações realizadas e informadas no decorrer de 2013 e também um convite para participar de mais projetos da associação. Veio também uma foto da Nova Delfinus 2013 em papel de fotografia com o gráfico de observações e o gráfico de curva de luz. Essa é uma prova de que podemos contribuir para a ciência independente de sermos "amadores". Esse termo foi largamente citado como impróprio no ultimo Encontro Nacional de Astronomia Enast realizado em Brasília. Né verdade os astrônomos antigos dispunham de poucos recursos e mesmo assim eram considerados como tal. A observação de estrelas vaiáveis por exemplo é possível de ser feita apenas com um bom binóculo.

Abaixo imagens da carta e foto da AAVSO






Abraços

Renato