terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Carnaval Astronômico 2015

Eu e mais dois queridos amigos nos reunimos em Alto Paraíso com o intuito de fugir do carnaval, bater papo astronômico e se o céu permiti-se observar um pouco desse universo que tanto admiramos.

Não sei se lembrarei de todos os astros observados mas descreverei todos os que lembrar.

Nebulosa da Tarântula ao refrator de 127mm, infelizmente o céu estava pouco transparente devido a finas nuvens mas ainda foi possível ver "as patas" da tarântula.

Ainda no grande refrator apelidado de Guerreiro por aguentar fortes noites de orvalho vislumbrei a Nebulosa de Órion e percebi que a uma estrela em particular tem sua própria nebulosa formando um globo de gás iluminado em sua volta.

Eta Carinae: de posse do bom companheiro binóculo Órion 10x50 a estrela se mostrava com magnitude 4.5 o que é bem alta em comparação a outras medições feitas em anos anteriores mostrando uma lenta evolução. Quem sabe ela mostre algum espetáculo em um futuro breve conforme já fora registrado na história.

Gamma Arietes

Também chamada de Mesartim é uma estrela tripla, ou sistema triplo, que no caso destas temos duas facilmente visíveis em telescópio de boa abertura. Observei em um 90mm e ambas as estrelas Gamma 1 e Gamma 2 com magnitudes quase iguais e facilmente distinguíveis. Ambas do tipo A são azuis e ficam em uma das pontas da constelação de Áries. A terceira é muito fraca e quando observei nem sabia que existia.


Auriga ou Cocheiro é uma constelação repleta de aglomerados abertos os quais se destacam ao binóculo alguns como os Messiers 36, 37 e 38. Nesse dia estava com pouca disposição de manusear o telescópio e o céu não estava incentivando muito com suas nuvens, em nova oportunidade verei os aglomerados ao telescópio.

Algumas novas constelações foram vislumbradas também com o auxílio de meu querido amigo que ali me orientava pelo céu do sul.

Volans ou Peixe Voador, essa seguindo as linhas de Lineu Hoffman se parece com uma pipa e fica entre Carina e Mesa. A cartografia da IAU abaixo não é tão bonita quanto a do Lineu infelizmente.

Pictor ou Pintor que mais parece um garfo ou mesmo um pincel se fizer mais uma linha entre Gamma e Teta Pictoris. Fica entre Dorado e Carina.


E as grandes patas da Ursa Maior que por ser muito ao norte e estar meio encoberta por nuvens foi possível ver suas patas formadas por dois triângulos grandes e bem esticados e também uma parte do corpo.

Foi um ótimo refúgio do carnaval, muito bate papo de astronomia, filosofia, arte entre outros, um pouco de Star Trek Voyager e muita alimentação vegetariana que experimentei pela primeira vez e fiquei impressionado do quão saborosa é. Espero fazer observações como esta nos próximos anos.

Abraços

Renato

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Construindo um Pequeno Telescópio

Alguns amigos que acompanham o blog sabem da minha história com meu primeiro telescópio de 90mm, um pequeno maksutov que vendi para comprar um 200mm newtoniano, porém me arrependi de ter vendido o pequeno pois ele era muito útil para pequenas observações.

Devido a esse arrependimento procurei o senhor ao qual vendi o pequenino e este não quis me vendê-lo de volta, entendo perfeitamente o motivo, é um ótimo equipamento de pequeno porte.

Não satisfeito continuei minha procura para encontrar um outro telescópio pequeno para observações menos exigentes em questão de abertura e finalmente apareceu a oportunidade de adquirir apenas um tubo de maksutov 90mm sem acessórios por apenas 200 reais através de uma página no facebook chamada Brechó da Astronomia. Não perdi tempo e comprei o pequeno, não me preocupei com acessórios pois eu já tinha o suficiente do outro telescópio maior.

O que eu não tinha era uma buscadora pequena, pois colocar a de 8x50 do 200mm ficaria desproporcional para o pequeno. Foi aí que fui presenteado por um querido amigo com uma 6x30. De início imaginei que veria uma imagem bem simples, mas me surpreendi com a pequena buscadora acromática, ela além de aumentar um pouco a imagem capta luz suficiente para observar até pequenos aglomerados estelares é um acessório que recomendo fortemente em especial para aqueles que compram telescópios e vem com as buscadoras Red Dot que não ampliam nada a imagem, facilmente se esquece ligada o que acaba com a bateria e na observação seguinte se torna praticamente inútil.

Já tinha buscadora e oculares agora faltava a base, em minha residência só há uma abertura que me dá acesso ao muro dos fundos, portanto colocava o telescópio sobre o muro com uma base de mesa. Tentei comprar uma base Heritage da Skywatcher mas além de absurdamente cara ainda não queria nada motorizado. Foi aí que observando as montagens dobsonianas artesanais de grandes telescópios de 8 e até 12 polegadas pensei, vou pedir para um marceneiro construir uma para mim bem pequena para este maksutov. Essa montagem na época me custou apenas 100 reais, ou seja, o custo total do telescópio me saiu por apenas 300 reais, claro sem contar os acessórios que já tinha.

Para que a base girasse suavemente no azimute o marceneiro colocou um CD velho entre as duas madeiras da parte inferior e o atrito de madeira com madeira é o responsável pela firmeza na altitude.

Vejam a base:





Gostei muito do resultado, apenas o peso que ficou grande para um telescópio tão pequeno, vou falar com o marceneiro para ver se alguns buracos na lateral fariam ele ficar mais leve sem perder a estrutura, e também para servir de alça para carregá-lo. Atualmente tenho que colocar a mão embaixo dele para o transporte de um lado para outro.

Percebi que a Órion costuma ser mais caprichosa que a Skywatcher pois esta retirou os parafusos de colimação na base do espelho dificultando um pouco o processo. Porém fica a dica para o alinhamento, folga-se os parafusos que fixam a base do espelho e a lente maksutov, aponta para uma estrela e se verifica se está tudo centralizado desfocando para os dois lados do focalizador, senão estiver é só ajustar com a mão mesmo, quando ficar alinhado aperte os parafusos gradualmente verificando novamente. Uma vez alinhado aperte os parafusos e dificilmente se desalinhará pois esse modelo segura muito bem o alinhamento (mais conhecido como colimação em astronomia).

Com esse equipamento já observei Saturno, Vênus, Mercúrio, Júpiter, o cometa C/2014 Q2 Lovejoy, aglomerados abertos M6 (Borboleta), M7 (Ptolomeu), NGC 4755 (Caixa de Jóias), tudo com boa qualidade.

A próxima meta é observar estrelas variáveis que o binóculo não consegue ver.

Segue o resultado final desta feliz empreitada:






Até a próxima amigos.

Semper Observandum

Renato

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Presenteado no Natal por um Cometa!



Olá caros amigos astrônomos, eis que o Natal chegou e o universo me presenteou com a oportunidade de ser testemunha de um belíssimo cometa. Me refiro ao C/2014 Q2 apelidado de Lovejoy.

Segue um pouco de como foi essa experiência.

Cheguei em casa por volta das 4:30 da manhã após a reunião com a família para a famosa ceia de natal. Não sou religioso, contudo, valorizo muito esse pouco tempo que passamos ao lado da família.

Estava bastante cansado devido a noite sem dormir até àquela hora, os bate papos e o leva e trás de travessas de alimentos, mas ao olhar para o céu através do portão de casa notei que estava aberto e muito limpo, com uma transparência que não via a muito tempo.

Lembrei quase que imediatamente do cometa que estava com excelente magnitude esses dias o qual havia conferido no site de carta de cometas no link abaixo:

Comet Chasing Com Cartas para Cometas

A magnitude prevista na carta era de 5.9 esta que foi medida por um dos membros do CAsB grande estudioso de cometas Maciel em 5.5. Em outras palavras facilmente visível com binóculo.

Devido a experiências anteriores frustradas na caça de cometas eu estava receoso do trabalho que teria naquela hora da noite e bem cansado mas ciente de que devemos ser persistentes segui firme em sua caça.

De porte de meu Smartphone e com o programa Mobile Observatory devidamente atualizado na Versão 2.43 e com dados atualizados via download automático pude ver o local exato do cometa naquele momento.

O instrumento ótico inicial utilizado foi o binóculo Órion Scenix 10x50, velho e querido companheiro.

Fazendo uma reta quase perfeita com as estrelas Épsilon e Alfa Columbae (constelação da Pomba) visíveis a olho nú segui a mesma distância das estrelas citadas para encontrar Mi Columbae e mais uma vez a mesma distância até me deparar com o belo coma do cometa. Estava perto de uma estrelinha pequena mas bem nítida (HD 39241). Parecia com um aglomerado globular e ao binóculo não pude ver detalhes.

Empolgado, chamei meu pai (62 anos) para ver e com extrema facilidade ele encontrou com o mesmo binóculo.

Mas a experiência não parou por aí, a um tempo atrás montei um pequeno telescópio de 90mm para substituir um mais antigo que vendi e me arrependi depois de mesma abertura. Em um outro momento relatarei sobre sua construção.

Ocorreu que ao observar por esse pequeno telescópio a imagem que vi certamente foi gratificante pois ali sim consegui visualizar o núcleo do cometa em meio ao seu coma. De forma muito suave, olhando com visão periférica, mas estava claro o que eu estava vendo. Um cometa do meio da cidade cercado de postes que me ofuscavam por todos os lados. Um belo conjunto de estrelinhas completavam aquela pintura celestial que eu contemplava.

Foi aí que pela primeira vez fiz um esboço da bela visão, foram duas primeiras experiências bem interessantes, segue esboço:




A estrela maior na esquerda, salvo engano, é a HD 39241 citada anteriormente e o telescópio que usei inverte a imagem.

Caso o céu abra novamente aconselho os curiosos a observarem também especialmente se puderem usar telescópios de grandes aberturas. Foram aproximadamente 25 minutos de observação e uma experiência para a vida toda.

Abraços, Feliz Natal e Ano Novo e que nossos projetos se concretizem.

Renato

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Planisfério Dupla Face

Olá amigos, eu já havia descoberto a um tempo um planisfério que é bem mais interessante do que a maioria dos que vejo vendendo em sites como Amazon e similares. O problema destes é que tem apenas uma face, ou seja, tem apenas o hemisfério norte ou o hemisfério sul, obrigando aos que desejam estudar todo o firmamento a ter dois planisférios, um com a face do sul e outro a norte.

Acontece que um brasileiro muito inteligente pensando nisso fez um planisfério com duas faces, que funcionam simultaneamente, você coloca o  mês e dia na hora em que observa e bingo, tem o céu do sul e do norte visíveis no planisfério. Realmente achei uma sacada incrível e como não temos onde comprar mapas de céu completo descentes um planisfério assim dá uma visão global excelente facilitando a visão das constelações e a localização de suas vizinhas aprendendo assim todo o céu.

As linhas de constelação são excelentes e muito parecidas, senão iguais, as linhas do antigo mapa do Lineu Hoffman, vendido a muitos anos e que é um dos melhores mapas celestes grandes que já vi, segue imagem:





Considero a utilização de planisfério, especialmente esse que cito agora, mais interessante que programas para smartphone quando o assunto é reconhecimento do céu especialmente a olho nu, pois se aprende onde está cada constelação e suas principais estrelas e até alguns objetos de céu profundo estão presentes.

O responsável pela empreitada se chama Leu Freire com quem tive o prazer de conversar por e-mail, e que disponibilizou gratuitamente o arquivo em PDF para que qualquer pessoa possa confeccionar seu planisfério, segue link do blog com a respectiva postagem:

Planisfério Blog Leu Freire

Atualização em 18/02/2023

Infelizmente o blog original parece não estar mais disponível, então compartilho abaixo os arquivos para confecção do planisfério:


Esse site tem bons arquivos para confecção:

Planisfério UFRGS

Imprimi um em impressora caseira para ver como ficava e no papel A4 fica pequeno e molenga, então aconselho ir a uma gráfica e imprimir a máscara em preto e branco em papel de gramatura 180 ou 210, acho melhor 210, e os círculos imprimir colorido tudo na impressora laser. Depois se recorta e cola plastificando com papel contact. A plastificação não funciona bem pois ela não cola direito no papel e se sustenta pelas bordas que serão cortadas, então o papel contact realmente parece ser a melhor opção. Para não ficarem bolhas é só usar régua e cartão de banco/crédito para finalizar a colagem.

O custo final fica em torno de no máximo R$ 30,00 cada impresso em papel A3 para que fique grande e bem legível, seguem fotos de alguns que confeccionei e já estou usando sempre que o céu permite para reconhecimento das estrelas mais brilhantes e suas constelações:
 





A meu ver, todo astrônomo deveria começar por uma ferramenta simples como um planisfério pois frequentemente vejo pessoas com equipamentos sofisticados que ao irem a um encontro observacional tem dificuldade de alinhar suas montagens computadorizadas pois não sabem onde ficam as estrelas mais brilhantes do céu e por conta disso ficam com os equipamentos simplesmente parados.

O modelo da imagem foi feito com papel de gramatura 210g na gráfica com impressora laser, o mais difícil de achar foi o rebite central que encontrei apenas no Mercado Livre.

Fica a dica para estudar o céu de forma ampla.

Abraços

Renato

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Busca frustrada de cometas seguida de aprendizados

Olá amigos astrônomos, o título do texto parece muito ruim mas a experiência foi boa.
Após ler notícias sobre o cometa Jacques em um site NÃO especializado, reparem bem o não especializado, o qual disse que o cometa estaria visível com binóculos no mês de setembro próximo a estrela Etha Cygni eu fui com meu pai a um local escuro na cidade procurar o cometa apenas como binóculo. Foi proveitoso apenas o fato de mostrar ao meu pai a constelação do Cisne mas o cometa que é bom não foi avistado. Pesquisando mais a fundo descobri um site especializado no assunto através do link:


Neste sim é possível saber detalhes inclusive imprimir uma carta de busca super detalhada da posição dos cometas visíveis. O foco é no hemisfério norte contudo não vi impedimentos de ser utilizada no hemisfério sul.

Depois da busca não bem sucedida do Jacques à caça do Siding Spring, este ao sul no dia 15 passando próximo de Lambda Pavonis, fui a um local ainda mais escuro e desta vez munido de um 200mm Newtoniano, e após muitas buscas nenhum cometa avistado mesmo em posse da carta de busca e reconhecendo o céu com precisão. Aproveitei a oportunidade para observar M55, velho aglomerado conhecido meu o qual já observei antes do mesmo local mas em uma noite cristalina em que tive uma visão magnífica com estrelas amarelas em áreas intermediárias do aglomerado mas nessa noite estava extremamente apagado, NGC 6752 que é um Globular do Pavão e que mesmo com a noite muito poluída tive uma belíssima visão, é um globular quase aberto, estrelas amarelas saem do centro e formam dois tentáculos ao lado e uma formação no lado oposto que me lembrou o símbolo do infinito. Reavistei 47 Tucanae que também se mostra muito belo mesmo em condições atmosféricas ruins. Procuramos eu e meu pai a Pequena Nuvem de Magalhães contudo mesmo sabendo o local exato não se via nada. Para finalizar observamos a galáxia de Andrômeda visível com binóculo, mais ainda com o telescópio, mas só de pensar que já vi essa galáxia a olho nu em Alto Paraíso desanima ver tão apagada mesmo no telescópio.

Realmente as buscas por objetos muito escuros e desafiadores nas proximidades de cidade não estão sendo produtivas, o que não quer dizer que não se deva fazer, entretanto deve-se ter cautela ao escolher os astros como cometas que são muito desafiadores.

A meu ver não achei o cometa por um motivo básico e que deve ser fortemente analisado por observadores. A transparência do céu é extremamente importante. Do mesmo local já vi M55 deslumbrante e em outro dia super fraco. O céu nesse dia estava cheio de poeira, fumaça, poluição luminosa da cidade onde moro, portanto estava realmente ruim.

Vou a um lugar em área rural na próxima tentativa em busca do Jacques que de acordo com o site citado ainda está visível e conforme a carta no link abaixo estará próximo de Collinder 399, um aglomerado aberto em Raposa. Caso não encontre já vou fazer um plano observacional como Plano B.


Fato engraçado. Quando estava chegando à região para observar fui perseguido por um morador da região de carro achando que era um casal querendo transar no mato. Eu fui até ele para dizer o que estava planejando fazer mas quando meu carro chegou perto do dele, ele com medo começou a andar de ré se afastando do meu veículo, eu andava para frente e ele se afastava por sinal morrendo de medo, até que decidi acelerar de uma vez para alinhar os carros e dizer boa noite e explicar a situação, aí ele se tranquilizou. Outro conselho, sempre ir aos locais devidamente autorizado! Meu pai riu demais dele assustando dando ré no carro e eu também.

Até a próxima e:

Nullius in Verba
(Veja com seus próprios olhos)

Renato Veras

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Observações mês de Agosto 2014


O mês de agosto teve boa produtividade até agora, uma variável foi reobservada e outros astros contemplados na região da constelação do escudo ou Scutum além da constelação da Águia, da super Lua e acreditem, visão direta do Sol.

A constelação do escudo não é fácil de ser visualizada da cidade e confesso que até hoje não consegui definir totalmente seu contorno. Porém a constelação vizinha que é Águia ou Áquila é perfeitamente visível no início da noite olhando para o leste mais para a esquerda de onde nasce o Sol. Inegavelmente uma águia com bico e tudo. Uma de suas asas tem três estrelas destacadas e a outra apenas duas em igual destaque.

Saindo da cauda da Águia chega-se a ponta do escudo e ali pude ver R Scuti, uma estrela variável belíssima que vai de 4.2 a 8.6, aferi o brilho dela em 4.7 no binóculo, está parecendo um pequeno farol no espaço se comparada a alguns meses em que no binóculo não via nada por causa da sua queda de brilho.

Scutum:


 Áquila:



Bem próximo da formação temos o Messier 11 chamado também de Pato Selvagem. Com determinada abertura se vê estrelas formando um triângulo parecendo um bando de patos em formação de voo, portanto não procure um pato ao olhar para este aglomerado aberto pois tem na verdade há um bando. Olhei com um 90mm que do meio da cidade me deu uma imagem fraca do aglomerado até por que ele é bastante compacto.

Messier 11



Outro astro que encontrei por acaso através do binóculo foi IC 4665, para quem quer encontrar segue a forma a qual chego nele: faço uma reta da asa de três estrelas da Águia e sigo em direção ao corpo da águia e continuo em frente até encontrar 3 estrelas em destaque formando um triângulo, a esta altura já se observa parte da constelação de Ophiucus, perto do triângulo se vê duas estrelas fortes, próximo da mais forte que é Cebalrai, Beta de Ophiucus, já é possível ver o aglomerado aberto com estrelas azuis e uma avermelhada próxima.

IC 4665 Foto Capella Observatory:



A Super Lua que ocorreu no dia 10 de Agosto, espetáculo à parte, especialmente se visto ao nascer do luar onde a este tem uma imagem realmente impressionante tanto pelo tamanho quanto pela coloração. O fenômeno é chamado de Perigeu, quando o astro sem sua maior aproximação da terra. A próxima aproximação será dia 8 de setembro em uma segunda feira.



Outro espetáculo foi o Sol que tive o prazer de presenciar em meio à fumaça das queimadas dessa época do ano. Quando sai no portão de casa percebi quão belo estava e corri para o local onde fica a caixa d'agua de minha casa e de posse de uma câmera digital e um smartphone registrei algumas imagens da bela visão que tive. Extremamente vermelha a olho nú sem nenhum desconforto visual, sugeri ao meu irmão que trouxesse o binóculo e a visão foi ainda mais incrível. Nunca imaginei que iria olhar o Sol de binóculo tão bem quanto neste dia. Segue algumas fotos do momento.



Até a próxima.

Renato Veras

domingo, 27 de julho de 2014

Primeira Observação em Alto Paraíso

Segue como foi minha primeira observação em Alto Paraíso, lugar este conhecido por ter um céu maravilhoso especialmente nessa época do ano. Apesar da época ser apropriada para astronomia o tempo não ajudou. Foram os dias 25, 26 e 27 de Julho de 2014.

Estava na companhia de meu pequeno mas muito querido grupo de observadores que são sem dúvida muito determinados a observarem o céu com bastante atenção.

Primeiro dia de sexta para sábado (dia 25 para 26) o céu se manteve fechado e depois que fomos dormir uma amiga muito persistente nos acordou com um céu bom as 3 da madrugada. A essa altura da noite a disposição para telescópio já havia acabado e nos restou olho nu e binóculo.

Três constelações reconhecidas ao sul, Hydrus (Cobra D'agua), Reticulum e Dorado. Ao norte M31 (Galáxia de Andrômeda) a olho nu e binóculo apresentando um denso núcleo, M33 Triangulum Galaxy, aglomerado aberto M29 "torre de resfriamento" bem pequeno em Cygnus.

Uma boa olhada em alguns alvos já conhecidos como o globular 47 Tucanae com enorme riqueza de detalhes no telescópio de 8 polegadas, núcleo muito denso mas estrelas pontuais sendo vistas mesmo no núcleo.

Alfa Centauri A e B vista pela primeira vez com muita cor, branco azulado em A e amarelo avermelhado em B.

Algo que chamou muito a atenção foi a quantidade de nebulosidades na Grande Nuvem de Magalhães as quais terão que ser analisadas visualmente em uma próxima oportunidade.

Na segunda noite o céu parecia que ia ajudar então logo nos animamos e montamos todos os equipamentos, duas variáveis foram os alvos iniciais R Centauri pertinho de Beta Centauri e S Pavonis perto de Alfa Pavonis ou Peacock. Ambas fáceis de achar ao binóculo com brilho 7.4 e 8.8 respectivamente aferidos na data de 26 de Julho.

Após isso um alvo difícil foi conquistado, uma nebulosa planetária pequena Blinking Planetary (NGC 6826) com telescópio de 200mm e ocular de 8mm Starguider a 150 vezes de aumento perto de uma dupla bem separada a 70 anos luz de nós a planetária se mostrava azulada e bem pequena mas não foi vista com muitos detalhes pois logo as nuvens fecharam tudo e a noite de observação acabou para nós.

Com céu fechado entramos e ouvimos músicas maravilhosas que lembram muito astronomia como Journey to the Centre of the Eye da banda Nektar entre outras.

Após a sessão musical acendemos a lareira e tomando um achocolatado com bolo admirando o fogo crepitando que nos esquentava conversávamos assuntos diversos.

Sem dúvida que a astronomia fica muito melhor cercada de amigos que admiram o universo tanto quanto você.

Abraços

Renato Veras