sábado, 20 de junho de 2020

Comparação Maksutov 90mm vs Luneta Visioking 20/60x80mm

Depois de muitos meses volto a escrever alguma experiência aqui no blog. Acontece que a casa onde eu morava não me abria nenhum pedaço de céu o qual eu pudesse montar algum equipamento e observar, agora na casa em que estou tenho um pequeno espaço de visão e espero que conseguir utilizá-lo bem.

Trago uma breve comparação entre o ótimo Maksutov 90mm contra a ótima Luneta Visioking 20/60x80mm. O motivo da aquisição da luneta foi devido ao Maksutov ter um campo de visão pequeno o que dificulta na hora de comparar estrelas variáveis com as estrelas de comparação em volta. Sem dúvida que um campo maior ajuda muito nessa hora.

A luneta foi adquirida no Aliexpress através do link abaixo, não fui taxado:


E o tripé foi adquirido no Mercado Livre por volta de R$ 150,00 reais.

Como podem perceber para um equipamento de astronomia o custo é bem baixo especialmente nesse momento de crise no qual nossa moeda desvalorizou muito.

Na noite de ontem por volta da meia noite resolvi montar o maksutov e a luneta apontando para o Messier 7 na cauda da Constelação de Escorpião, trata-se de um aglomerado aberto fácil de achar e com boas estrelas para comparar o campo de ambos os equipamentos. O maksutov como é de mesa foi colocado sobre um pequeno banco, futuramente quero fazer um tripé pra ele, e a luneta no tripé fotográfico. Achar o aglomerado em ambos os equipamentos é fácil, pois o telescópio tem a buscadora e a luneta tem um bom campo de visão.

Tudo montado é hora de observar e comparar. Comecei pelo telescópio que utilizando a ocular de 32mm e com seus 1250mm de distância focal resulta em um aumento de 39x (1250mm/32mm=39x) mostrou uma imagem muito nítida mesmo nas estrelas mais fracas e o campo de visão ficou em aproximadamente 1.2º o que permitiu ver as estrelas o aglomerado de forma ampla, porém as estrelas em volta dele não foram tão visíveis. A estabilidade do telescópio é algo a se destacar, pois é muito firme e ao movimentá-lo logo ele para de tremer algo que ajuda muito durante a observação.

Agora a vez da luneta, nessa o aumento utilizado foi o mínimo visando maior campo de visão, ela pode variar o aumento indo de 20x até 60x através da ocular com zoom. Quanto a qualidade da imagem essa foi ótima, foco muito fácil e tendo atenção quase era possível ver todas as estrelas do telescópio. Já o campo de visão foi de aproximadamente 2,2º o que deu uma sensação de ser 5 vezes maior dispondo além do aglomerado muitas estrelas em volta. Dessa forma o processo de estimar variáveis comparando com outras próximas fica muito facilitado. A estabilidade deixa um pouco a desejar já que o tripé fotográfico não foi projetado para astronomia, mas com um pouco de paciência é perfeitamente possível usar, os astros permanecem um bom tempo no campo de visão então não precisa ficar ajustando tanto.


Segue imagem aproximada da comparação:


O círculo central corresponde ao maksutov 1.2º, o intermediário à luneta com 2.2º e o maior a um binóculo 10x50, isso em minha impressão pessoal, não fiz cálculos exatos.


Seguem imagens da luneta:









Seguem imagens do telescópio utilizado:





Por hora é isso, obrigado e abraços
Renato

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Chácara Primavera Reinaugurada


Olá amigos, com a vinda do grande amigo e mestre Toninho do Rio de Janeiro montamos uma observação na Chácara Primavera a qual por e-mail já havíamos conversado diversas vezes na possibilidade de acontecer, bom dessa vez foi a noite de sábado para domingo dia 31 para o dia primeiro de setembro ocorreu o tão esperado encontro. Paulo Fernandes Toninho e eu finalmente nos encontramos para uma observação em trio de astrônomos amadores que além de observar visualmente contribui cientificamente com a observação e registro do brilho de estrelas variáveis o que chamamos de estimativas de brilho. 

No sábado logo cedo acordei já com pensamento no encontro e separando os equipamentos mapas cartas e etc. À princípio eu ia levar o Frank o que é meu pequeno telescópio maksutov de 90mm porém pouco antes de sair o Paulo me recomendou levar o Enterprise, o telescópio de 200mm, e assim eu fiz chegando lá sozinho abri a porteira e já fui descarregando os equipamentos, esperei um tempo e o pessoal chegou. Dona Silvia foi assistente que nos deu suporte com as refeições e o almoço para o dia seguinte no qual foi realizado uma confraternização com diversos amigos, a belíssima modelo Luciana, senhor Jaime pai do Paulo, Marcos, Ivone, José Carlos e seus filhos e netinho, Jaime Júnior, Lúcia, o amigo de infância do Paulo o Alexandre e foi um almoço maravilhoso, se eu esqueci alguém peço mil desculpas, mas voltando à observação segue um pouco do que aconteceu.

Como no primeiro momento eu ia pensando exclusivamente em variáveis eu nem fiz um planejamento visual porém improvisando ali mesmo fomos observando uma coisa e outra utilizando o poderoso filtro Lumicon com UHC para ver nebulosas. Esse filtro é fenomenal realmente faz uma enorme diferença nas observações visuais de nebulosas planetárias nebulosas de emissão. Entre outras vimos Nebulosa do Anel, Nebulosa do Haltere e é como se o filtro simplesmente acendesse a nebulosa. Observamos a nova recorrente V3890 SGR a qual estimei 9.4 de magnitude também observamos uma velha conhecida Mira Ceti na constelação da Baleia a qual estimei 7.7 de magnitude. Como eu estava parcialmente focado em observação visual acabei manipulando telescópio para proporcionar aos colegas boas visões, já eles estimaram uma quantidade muito maior de estrelas porque estavam um pouco mais focados nessa atividade.

Durante observação ouvimos sons maravilhosos como The Moody Blues, Pink Floyd entre outros a temperatura estava muito agradável e só lá para meia noite é que resolvemos nos agasalhar suavemente. Nenhum sinal de orvalho. Fomos dormir com a sensação de Missão Cumprida! Além de observar e estimar estrelas variáveis observamos visualmente belíssimos astros até a galáxia de Andrômeda foi avistada o que me impressionou dessa vez foi a distância da sua galáxia companheira que nas fotos parece próxima mas ao telescópio mostrou grande distância dando uma dimensão do tamanho da galáxia, me refiro à Messier 32 e foi a primeira vez que observei essa galáxia satélite de Andrômeda. Um dia vou À Alto Paraíso só para ver belas galáxias.

Quando o dia amanheceu fomos lanchar e conversar sobre assuntos dos mais diversos. Amigos que não via há bastante tempo como se o Marcos e Ivone encabeçaram muitas conversas sobre o Clube de Astronomia de Brasília estar mudando de postura e parar de ser focado em um tema só, astrofotografia, e começar a observar mais também visualmente e foi algo que nos animou e que talvez nos faça voltar ao clube. Apresentei ao Toninho o site https://www.telescopiosastronomicos.com.br/telescopios.html que vende um schmidt-cassegrain no qual ele está interessado para observar e registrar ocultações de estrelas por asteroides além de mostrar também para o senhor Marcos que gostou de ter mais uma opção no Brasil para aquisição de equipamentos. As conversas variaram de astronomia para política, histórias antigas e cômicas das aventuras de Alexandre e Paulo Fernandes além de umas aventuras solo do Paulo no interior do Piauí e outros temas, assim o papo rolou solto foi um domingo maravilhoso.

Eu e Toninho conversamos sobre fotometria e ele me apresentou uma possibilidade de fazer sem necessidade de aquisição de tantos equipamentos e eletrônica o que é baixar as imagens de sistemas automatizados e colocar em programas especializados para medição do brilho da estrela auxiliando assim os pesquisadores na comprovação de suas teorias. Vou estudar esse assunto em breve relato aqui o resultado. Estimativas postadas na AAVSO e vamos programar o próximo encontro antes da temporada de chuvas.

P.S. bem lembrado pelo Paulo que também observamos Netuno com a ocular ortoscópica Baader de 6mm que no Enterprise gera 200X de aumento o que permitiu ver uma bolinha razoavelmente definida. E esquecemos de observar Urano.

Até mais

Renato

domingo, 4 de agosto de 2019

De volta ao Planalto Central

Para aqueles que acompanham o blog podem ter notado que ele ficou muito tempo sem atualizações, acontece que eu me mudei para o Paraná e no início até que o animei observar no meu quintal grande com o céu bem aberto. A cidade de Campo Mourão tem pouca poluição luminosa na região em que eu morava no bairro Jardim Maia, porém depois de um tempo fiquei um pouco cansado porque apesar de ter um céu bom lá na época de observação faz muito frio e às vezes eu começava a observar 9 horas da noite a temperatura já estava em 9° às 11 horas da noite já fazia 7 ou 6 graus e para quem nasceu em Brasília realmente é difícil.

Contudo para minha alegria surgiu uma oportunidade de permutar para Brasília e estou de volta ao planalto central próximo dos amigos que gostam de astronomia tanto quanto eu e para começar com o pé direito fui à chácara de um amigo próximo a Engenho das Lajes e fizemos uma excelente observação.

Foi noite de inauguração da ocular Ortoscópica Baader de 6mm e do filtro Lumicon o UHC (Ultra High contrast). Ambos são acessórios muitíssimo elogiados em fóruns do assunto. Adquiri esses dois itens ainda no Paraná através do site https://grabr.io/pt no qual pode-se fazer compras através de pessoas que viajam a países como Estados Unidos e podem nos trazer produtos que simplesmente não são vendidos no mercado brasileiro, esses dois itens por exemplo sem chance de comprar no mercado brasileiro.

A inauguração não poderia ter sido melhor, o filtro Lumicon é excepcional. Valeu o preço tão exagerado dele, pois custa $100 dólares e comparando com o filtro Optolong o UHC (que custou 50 dólares) que eu já tinha ele se mostrou ainda melhor e olha que o Optolong já é nota 9 sendo excelente. mas o Lumicon realmente é top de linha.

No planejamento incluí a planetária azul, galáxia Centaurus A, Planeta Anão Ceres, Júpiter, Saturno, Omega Nebula, Dumbbell Nebula e Nebulosa Helix além das chuvas de meteoros Iota e Delta Aquarídeas.

Apesar dos planos nós pulamos alguns astros, pois estávamos realmente afim de usar a Ortoscópica e o Lumicom com o UHC e acabamos vendo também Nebulosa da Lagoa, Trífida e Nebulosa Saturno.

O telescópio utilizado foi o Skywatcher de 8 polegadas com uma buscadora de 90 graus além dos companheiros Pocket Sky Atlas Jumbo Edition e oculares Starguider.

Por volta das 17 horas tudo já estava no seu lugar, telescópio, mesa, banquinho tudo em posição, começamos observando a Lua que estava com 11% de luminosidade. O contraste da Lua na ocular de 25mm sempre é muito bonito de se ver com o excelente foco e clareza das crateras, é como ver um vídeo em uma TV deúltima geração.

Dessa vez eu encontrei a nebulosa Planetária Azul só com o Pocket Star Atlas Jumbo, porque da vez anterior foi necessário Millennium Star Atlas. Observamos com o filtro Optolong e já estava bonito, porém ao colocar Lumicon ficou com azul ainda mais vivo (próximo ao Azul Cobalto) além do fundo ficar bem mais escuro com ótimo contraste para nebulosa e de modo geral o filtro Lumicon se comportou dessa forma em praticamente todas as comparações que fizemos, o céu ficava mais escuro e a nebulosa mais viva e bem mais visível o que não tira o crédito do filtro Optolong que também é muito bom, eu diria até excelente, já até observei Cometa do meio da cidade com o Optolong e tive um ótimo resultado.

Júpiter e Saturno foram vistos tanto por mim quanto meu amigo e meu pai com detalhes que nunca tínhamos visto. Júpiter tinha um pontinho preto talvez a sombra de uma das luas pela primeira vez eu vi detalhes nas faixas de nuvens centrais do planeta, uma onda diferente era perceptível na faixa mais larga e faixas mais finas se mostravam abaixo da faixa mais estreita.

Saturno em todo seu esplendor mostrava claramente a sombra os anéis sobre o planeta a faixa de nuvens no planeta era mais nítida bem definida, a sensação de esfera também estava presente e muitas luas eram visíveis, um show da ocular Ortoscópica Baader.

Voltando as nebulosas observamos Nebulosa da lagoa que no filtro Lumicon ficou linda com aquela espécie de “Córrego” cruzando sua parte central. A Nebulosa do Anel mostrava uma coloração lilás bem vívida uma forte impressão de ter visto Dumbell ao binóculo Orion scenix 10x50, mas foi ao telescópio que ela ficou realmente muito bonita o filtro Lumicon UHC destacou detalhes que eu só tinha visto em fotografia. A Nebulosa Saturno que é muito pequena mostrou uma coloração Azul suave porém mesmo com um grande aumento ela continuava pequenina. A nebulosa Helix sem o filtro fica praticamente apagada mas quando você coloca o filtro é como se ela estivesse desligada e alguém ligasse um disjuntor e ela acendesse, ficou bem visível contra um céu negro nas bordas, realmente o Lumicon é nota 10. 

Por volta da 1:15 da madrugada o frio estava apertando em torno de 15 graus o que era perfeitamente suportável. Nada que se compare ao frio de cinco graus que enfrentavam nas madrugadas de Campo Mourão.

Realmente é bom estar de volta nesse céu extraordinário que é o planalto central, um amigo muito experiente do Clube de Astronomia de Brasília que viajou para o Chile disse que o nosso céu é tão bom que se aproxima do céu do Chile, claro desde que você esteja bem distante de um centro urbano como por exemplo na Chapada dos Veadeiros local este que pretendo visitar esse ano munido do Enterprise, que é o meu telescópio de 8 polegadas, bons filtros e boas oculares além de um planejamento que terá belas Galáxias.

P.S. o telescópio estava um pouco instável e o focalizador meio molenga, não pude ajustar, pois não havia levado as as ferramentas. De volta pra casa fiz os ajustes.

Queridos amigos é bom estar de volta

Abraços
Renato

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Astronomia e nossa rotina diária


Hoje falarei à respeito de um tema que para alguns pode ser complicado:

Como conciliar a rotina diária com a Astronomia?

Muitos de nós amadores começamos nas atividades astronômicas e com o tempo vamos esfriando. Observamos a Lua, alguns planetas, aglomerados abertos e globulares, quando muito nebulosas e alguma galáxia. Mas manter as atividades apenas na observação visual pode, com o tempo, se tornar pouco interessante. Alguns partem para as astrofotografia que por sua vez aumenta exponencialmente o poder de "observar" através de imagens elevando o hobby a um outro nível, pois os sensores das câmeras abertos por horas captam muito além do que nossos olhos conseguem ver por maior que seja a abertura do telescópio, apesar de que ver imagens em um telescópio de 400 mm de diâmetro em um céu de alta qualidade é como ver astrofotos, porém ao vivo, mas isso é uma coisa difícil para a maioria de nós. Contudo astrofotos é uma atividade bem complicada tendo em vista o custo dos equipamentos, a curva de aprendizado e o tempo que se dispensa em tal atividade.

Mas existem outras atividades que podem deixar o amador "aquecido" no ramo e uma que vou falar hoje é das mais acessíveis, trata-se da análise e estimativa de brilho das estrelas variáveis.

Devido à rotina diária, confesso que às vezes faço uma força significativa para estimar estrelas variáveis visto que não é uma atividade tão simples assim no começo. Buscar sugestões de estrelas, depois as cartas, o binóculo ou mesmo telescópio, procurar as estrelas, comparar, anotar, mandar pra base de dados da AAVSO, ufa! É bastante coisa e em meio nossa rotina diária a situação fica meio apertada. Imagino por alto a rotina da maioria das pessoas chegando em casa à noite e só querendo descansar, realmente é difícil encaixar astronomia na rotina. Geralmente ficamos com a observação básica esporadicamente e/ou acompanhando as notícias.

Porém, de vez em quando, acho legal sair um pouco da rotina e baixar umas sugestões no site Skymaps, colocar o binóculo e telescópio no quintal, no campo de futebol, enfim, onde for possível e esquecer um pouco da rotina diária e elevar o pensamento ao cosmo, para se desligar um pouco do nosso dia a dia e pensar na beleza desse nosso universo, o qual, quando paramos para pensar nos faz sentir pequenos, não digo que sejamos insignificantes diante do universo, afinal quando paramos para pensar em sua grandeza, mesmo sendo pequenos somos sim significantes pelo poder do nosso pensamento. Enquanto não podemos chegar lá fisicamente, podemos chegar através do conhecimento e nosso imaginativo. Ao olhar por um telescópio estudar e imaginar a imensidão daquilo que vejo, podemos sim viajar com nosso pensamento para bem longe nessa imensidão.


Segue o link do Skymaps com as sugestões de observação para esse mês com sugestões para olho nu, binóculo e telescópios:


http://www.skymaps.com/downloads.html

http://www.skymaps.com/skymaps/tesms1902.pdf


Voltando ao assunto de estimar variáveis, depois que pega o jeito é uma excelente maneira de se manter ativo na astronomia, pois nos dá objetivos e nos motiva, podemos começar com uma ou duas só pra manter o 'sangue quente'. Cabe a cada um escolher alguma atividade claro, mas essa eu recomendo bastante.

Eu até me arrisco a sugerir uma boa estrela para iniciar, R Doradus já li ser ótima para os primeiros passos, primeiro joga o nome 'R Dor' no App Stellarium (Iphone e Android, baratinho e vale cada centavo) e ele já vai achar o lugar dela, está bem alta no céu esses dias e nisso você já aprende onde fica a constelação de Dourado (peixe) e Reticulum(rede), aí com a carta do link abaixo e um binóculo 7x50 ou 10x50 fica relativamente fácil achar. Um conhecimento básico da estrela segue noutro link abaixo. Na carta se escolhe duas estrelas uma mais brilhante e outra menos brilhante aí pega um número pelo meio e bingo, você calculou o brilho de uma estrela. Para quem quiser tentar sair um pouco da rotina fica aí o desafio. Para aqueles que querem um estilo mais "raiz" substituam os aplicativos por atlas de papel como o Pocket Star Atlas Jumbo, aí a brincadeira fica ainda mais interessante.

Informações básica: R Doradus
Informação avançada: R Doradus AAVSO
Link da carta: Carta R Dor AAVSO

Hoje como é lua nova vou tentar estimar algumas variáveis que separei e estão na prancheta aguardando uma boa noite.

Grande abraço a todos

Renato

terça-feira, 24 de julho de 2018

Observação Planetária 14/07/2018


De forma bem descompromissada realizei uma observação nesse dia visando todos os planetas visíveis a olho nu como Mercúrio, Vênus, Júpiter, Saturno e Marte. Tive a ilustre companhia do Alex Machado, amigo aqui de Campo Mourão que também é um admirador dos astros.

Depois de vários dias com temperaturas bem baixas tivemos uma ótima janela de oportunidade para observar confortavelmente sem aperto nesse aspecto. Coisa que me desestimula muito para observar é frio demais, como sou de Brasília lá começamos a observar com temperatura em torno de 19 graus e por volta das duas da manhã estamos parando na faixa de 10 graus no mínimo. Aqui no Paraná, salvo no verão é claro, tem vezes que se começa a observar já com 12 graus no inverno que tem céu mais aberto, aí como diz o ditado quebra minhas pernas rsrs.

Planejei montar o telescópio às 17:00, mas como a conversa ao telefone com minha mãe foi maior que eu imaginava acabei montando tudo às 18:00. Não perdi nada na verdade, pois eu não tinha ângulo de visão para ver Mercúrio, planeta esse que nunca consegui observar ao telescópio dada a grande proximidade com o Sol é difícil observá-lo. Em apenas 15 minutos já estava com a mesa de camping montada com a caixinha de oculares e o telescópio Enterprise (meu 200mm) no local para admirar o "primeiro" planeta da noite, Vênus.

Vênus estava como uma lua minguante, só "meia lua", contudo mesmo assim eu consegui de relance e com dificuldade observar algumas partes escuras na superfície, detalhes não detectados pelo Alex. Usamos a ocular Starguider 8mm que alcança 150x de aumento (1200mm do telescópio dividido pelo tamanho da ocular 8mm = 150x). Aumentando mais que isso com a ocular de 5mm a imagem não dava um foco agradável. O filtro lunar que permite a passagem de apenas 13% da luz ajudou bastante.

Júpiter. Esse estava em excelente posição, bem no alto (zênite) e com isso o a nitidez foi soberba. O Alex me pareceu impressionado com a vista. Eu mesmo não lembro de ter visto tão bonito. Vimos três faixas de nuvens e reparamos que a maior delas não estava contínua apresentando o que parecia uma perturbação de turbulência. Luas Io de um lado, Europe e Ganymede do outro próximas ao planeta e Calisto mais distante. Mais uma vez não consegui ver a bendita mancha vermelha do planeta mesmo já tendo observado ele diversas vezes, um dia eu consigo.

Saturno. Esse até minha esposa veio ver, realmente é a joia da coroa do sistema solar. A sensação que nós três compartilhamos era de estar vendo uma imagem em três dimensões, pois era possível perceber a esfericidade do planeta. Até sombra dos anéis era visível no planeta sem contar claro com a bela divisão de Cassini. Luas Titan, Rhea, Tethys, Dione e Enceladus visíveis, algumas bem difíceis de ver.

Marte. Esse é um cara sempre complicado, parece realmente o deus da guerra, temperamental. Observar Marte é um caso de sorte a meu ver, pois após diversas tentativas apenas em uma ocasião tive a sorte de ver detalhes como o grande Vale Marineris e a calota polar. Mesmo observando no período de aproximação à cada dois anos não é fácil. Usei um filtro recomendado por colegas em fóruns, o Moon & Skyglow, mas dessa vez não tive sucesso. Eu vi uma bolinha branca e só. Troquei de ocular e filtro (usando o da lua) e nada. Dessa vez sem detalhes. Dia 27 de julho é a oposição do planeta, quando estará mais distante do Sol, e dia 31 desse mesmo mês Marte fará uma das maiores aproximações já realizadas pelo planeta e possivelmente mostrará algum detalhe, tentarei observá-lo novamente.

Aproveitamos o ensejo para observar outro astro presente o belíssimo aglomerado globular Ômega Centauro do qual eu sempre friso serem visíveis dois "buracos" na sua parte central, um maior que o outro, como se fosse uma queda de densidade de estrelas no aglomerado, coisa que já vi em algumas astrofotografias com exposição não tão longa. O Alex frisou que já observou com a mesma qualidade que viu no Enterprise, mas em telescópio muito maior o que acredito ser questão de alinhamento e qualidade das oculares além da noite estar favorável também.

Foi uma observação tranquila e muito agradável com um bom bate papo astronômico.

Finalizamos por volta das 21:30 horas quando a temperatura já começava a diminuir.

Até a próxima.

Renato

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Observando Variáveis Maio 2018

Depois de algumas observações visuais contemplativas fui variar para as variáveis. Com o perdão do trocadilho, fui preparar a observação dessas magníficas estrelas que não se contentam em iluminar o universo, mas enriquecem a observação daqueles que testemunham suas variações de brilho pelos motivos mais diversos, seja por conta de pulsações internas em sua constante luta da gravidade e da fusão nuclear, por conta de um eclipse de estrela companheira ou até mesmo a ejeção de nuvens de carbono que encobrem as estrelas periodicamente entre outros motivos. Bom, vamos à parte prática.

Dia 10/05/2018

Simulei o céu com o famoso programa para smartphone Stellarium para ver as constelações mais interessantes no horário que eu dispunha. Não que seja necessário fazer essa simulação eletrônica afinal podemos olhar para o céu e ver as constelações disponíveis uma noite antes, mas foi apenas uma forma de aproveitar uma hora vaga no trabalho para ver como estaria o céu e assim escolher boas variáveis para aquele momento.

Consultei minha planilha de variáveis que é onde listo todas aquelas estrelas que ao longo do tempo fui acumulando com pesquisas e indicações de amigos. São estrelas interessantes para um observador visual as quais estão ao alcance de binóculos e pequenos telescópios.

Verifiquei que ao sul tinha Centauro, Carina, Cruzeiro do Sul e ao norte destacava-se Boieiro. Anotei as estrelas em um papel, imprimi as cartas que ainda não tinha e levei pra casa, não observei naquela mesma noite. No dia seguinte separei as cartas da anotação e coloquei na prancheta. Acho que isso foi o que me facilitou a vida, ir preparando a observação aos poucos, sem pressa. Vejo as constelações, vejo as estrelas, separo as cartas e ponho na prancheta e espero uma noite estrelada. Não é necessário realizar todos os procedimentos para observar de uma só vez, até porque isso pode dar preguiça de fazer. Em tempos de distrações e muitos compromissos, podemos preparar uma sessão observacional aos poucos. Aí quando uma boa noite surgir, deixamos de lado a televisão e vamos para o quintal deitar numa cadeira de praia com um binóculo no pescoço relaxar. Pode-se inclusive colocar uma música de fundo ao gosto de cada um.

Foi dia também de estrear o binóculo Celestron Skymaster 15x70 que adquiri recentemente, logo escreverei um post dedicado aos meus atuais binóculos. Eu tinha que dormir às 23:00 e comecei observar tarde, era 22:20 então pensei comigo mesmo, se eu estimar apenas uma estrela já estou no lucro. Se agente não mora sozinho é importante combinar com sua parceira ou parceiro que vai observar para que um facilite a vida do outro ajudando a aumentar a janela de tempo, como eu não avisei minha esposa antes acabou que sobrou pouco tempo. Voltando ao binóculo, como estava empolgado com o 15x70 de cara peguei ele, mas não foi uma boa ideia afinal o campo de visão é pequeno e isso dificulta achar as coisas, não achei RX Bootes, aí peguei o velho companheiro Órion 10x50 e rapidinho achei a estrela. Estimei em 7.9 com ajuda da carta da AAVSO. Depois foi fácil ver a estrela com o 15x70 afinal eu tinha acabado de aprender o local exato. Também tive ajuda do Pocket Star Atlas Jumbo. Eram 22:40 e pensei em estimar mais alguma estrela, mas as imagens que eu estava vendo com o binóculo 15x70 me impressionaram tanto que continue a contemplar. Apontei para Antares e para minha surpresa vi claramente o aglomerado globular Messier 4. Como era possível? Sim ver com esse binóculo é como ver em um pequeno telescópio, as imagens impressionam! Aí logo pensei em Ômega Centauro e não deu outra, visível como se estivesse olhando por um pequeno refrator. Me empolguei e fui para Plêiades do Sul, Eta Carinae, NGC 3532 brilhava como uma cidade no céu, M6, M7 e todos estavam belíssimos. O peso do binóculo cansa com o tempo, treme na mão e o foco não é fácil para mim, mas compensa o esforço. O som ambiente desse dia foi Fratoroler - Augen-Blicke.

Dia 14/05/2018

Esse dia foi dedicado exclusivamente às variáveis. Ao sair do trabalho fui direto para casa e ao chegar já avisei a esposa que iria aproveitar o bom céu e observar, então adiantamos um jantar leve seguido de um descanso antes de preparar o ambiente.

Montagem da mesa de camping por volta das 21:00 com binóculos, Pocket Star Atlas Jumbo, lanterna vermelha, prancheta com cartas previamente selecionadas conforme constelações presentes, caixinha de som, cadeira de praia e banquinhos ao lado para apoiar os itens mais usados. Nessa noite me senti um verdadeiro variabilista, pois foram estimativas rápidas e consistentes, ao todo 7 estrelas estimadas. Só não foram mais porque estava ficando muito frio e resolvi deixar mais para outro dia. Nesse dia o som ambiente foi Perge - Aural Coefficients Within A Fractal Plane.

Seguem estimativas:

Em 10 de maio de 2018:

RX BOO Magnitude 7.9

Em 14 de maio de 2018:

L2 PUP Magnitude 6.3

R LEO Magnitude 6.3

AG CAR Magnitude 4.2

V341 CAR Magnitude 6.4

S Car Magnitude 6.2

R Car Magnitude 4.7



Imagem do ambiente:


Na noite seguinte tentei observar de novo, mas o céu fechou para chover logo depois das 8, aí foi só relaxar ouvindo a chuva e esperar uma boa noite novamente.

Abraços

Renato

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Lua Nova Abril de 2018, Céu de Cristal


Essa noite foi show de bola. A observação foi muito produtiva.

Ao sair do trabalho às 19:00 fui buscar minha esposa em seu trabalho e percebi que o céu estava belíssimo com a Lua ainda nova com boa luz cinérea e logo abaixo estava Vênus. Então fomos num restaurante onde pedi um bife acebolado e jantamos. Ao chegar em casa por volta das 8:30 pensei comigo, tenho 30 minutos para descansar e 30 minutos para montar oposto observacional no meu quintal dos fundos e às 21:30 começo a observar.

A temperatura estava em torno de 22 graus, o que para astronomia é muito agradável quando normalmente observamos temperaturas bem mais baixas. A trilha sonora inicial começou com o álbum Attalus do Perge, depois de um tempo eu achei meio agitado e mudei para outro álbum do mesmo grupo o Attalus Sessions que apesar do nome parecido tem um clima bem diferente esse bem astronômico. Meu cachorrinho Luke (Skywalker) estava mordiscando meus pés como ele costuma fazer, algumas horas ele parecia interessado no que eu estava fazendo, mas logo voltava a mordiscar meus pés rsrs. Os grilos cantavam alto e finalizavam a composição astronômica do ambiente.

Os equipamentos utilizados foram binóculo 7 por 35, binóculo 10 por 50, Pocket Sky Atlas Jumbo,  o Enterprise (apelido do telescópio de 8 polegadas), prancheta, lanterna com várias camadas de papel celofane vermelho e o mini som bluetooth.

O céu estava muito cristalino e as estrelas não cintilavam o que me deu a entender boa estabilidade atmosférica que gera ótima transparência do céu para se observar.

A planilha dos alvos já estava pronta antes do início de período da lua nova segue imagem abaixo da planilha com anotações (bem feias, escrever no escuro é complicado).


Iota Cancri é uma dupla colorida uma estrela grande branco amarelada e uma outra ligeiramente arroxeada ambas muito bonitas com 150 vezes de ampliação. Percebi as cores bem destacadas com outer focus, ou seja, desfocando para fora.

Nebulosa Espiral NGC 2903 em Leão com magnitude 8.9 só vi uma manchinha, mas já fiquei satisfeito pois trata-se de uma galáxia extremamente distante há cerca de 30 milhões luz de distância. Observar do quintal de casa mesmo que seja uma manchinha de algo tão imensamente distante já impressiona. Imagine que a luz que eu estava vendo saiu daquela galáxia ha 30 milhões de anos atrás! Em quilômetros prefiro nem calcular essa distância.

Tripleto de Leão não consegui ver três, apenas duas, certamente as mais brilhantes, preciso ir para uma fazenda para observar melhor galáxias. Contudo a imagem dessas duas foi forte e bem bonita, em M66 era possível ver algumas estrelas bem próximas, do nosso ponto de vista é claro, bem pequenas que davam mais beleza na composição.

A Galáxia Espiral do Sul M83 mostrou um núcleo bem forte. Consegui perceber que não era só um ponto brilhante, mas detectei parte da estrutura do núcleo, ver isso da cidade já me deixou bem contente. Notei uma pequena dupla ali na região próxima, investiguei melhor em um Atlas mais completo o Deep Sky Hunter e constatei a real duplicidade da estrela bem coladinha à galáxia, um show.

Izar é uma estrela dupla que eu achava ser mais fácil de ver mas elas são bem próximas, é difícil separar, só com bastante aumento na casa dos 150 vezes uma grande e uma pequena bem juntinhas as cores não ficaram claras para mim mas a tonalidade era nitidamente diferente. Bem perto vi uma variável W Bootes a olho nu, sua variação é de apenas 0.31 de magnitude, visualmente não é muito interessante de se observar, pois é difícil notar a mudança de brilho.

Desisti de observar os aglomerados globulares por conta das nuvens que começavam a aparecer especialmente na região deles, então resolvi observar velhos companheiros como Omega Centauri que com 150 vezes apresentava incontáveis estrelas bem separadas e distintas, consegui ver até dois espaços meio vazios no centro do aglomerado coisa que antes só consegui ver em um telescópio de 11 polegadas.

Aproveitei para apontar para a nebulosa de Eta Carinae já que estava alta no céu e tive uma visão maravilhosa, consegui ver mais nuvens do que o normal acho que o céu estava com ótima qualidade nesse dia. Ao colocar o filtro UHC a imagem quase ficou tridimensional muitíssimas nuvens bem contrastados aí resolvi focar em Eta Carinae fiz diversos aumentos estou quase certo de que vi homúnculo que são nuvens de gás enormes lançadas da estrela Eta Carinae. Foi a primeira vez que consegui perceber essas nuvens, realmente o céu estava cristalino.

Para finalizar resolvi apontar para Júpiter que estava tão brilhante que chegava a ser ignorante no céu e valeu a pena. Consegui ver três luas uma delas curiosamente fora do eixo normal de órbita ao qual estou acostumado a ver. Vi ao todo dos seis faixas de nuvens sendo que em uma delas conseguia não apenas ver a faixa, mas as nuvens em si esfumaçadas e tudo. Creio que foi a melhor visão de Júpiter que já tive e mais uma vez não consegui ver a mancha vermelha ela sempre está para outro lado creio eu creio eu.

Finalizei a sessão de observação por volta das 23 horas com a temperatura já abaixo de uns 20 graus e bem satisfeito não com a quantidade de observações mas sim pela qualidade delas, o céu realmente ajudou. Não é fácil coincidir Lua Nova com céu aberto então antes do período de Lua Nova já é bom preparar alguns alvos caso o céu abra assim já se fica preparado.

Então foi assim que comecei a temporada de observações visuais 2018.

Abraços e céus limpos!

Renato